China relaxa restrições sanitárias e abre caminho para exportação maciça de carne brasileira

A Administração Geral das Alfândegas da China (GAAC) anunciou uma mudança significativa na terça-feira, 2, de 2026. A decisão de remover as restrições sanitárias relacionadas à febre aftosa do norte do Brasil permitiu que todo o território brasileiro fosse reconhecido como apto para exportação de carne.
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Essa medida ocorre em um momento crucial, considerando que a China é o principal destino da carne bovina brasileira, impulsionando o setor.
No primeiro trimestre de 2026, o Brasil registrou um aumento expressivo nas exportações para a China, enviando 335,3 mil toneladas de carne, um crescimento de 42% em comparação com o mesmo período de 2025. Essa expansão reflete o potencial de um mercado em expansão e a crescente confiança na qualidade dos produtos brasileiros.
Reconhecimento e Ampliação de Acesso
Em comunicado conjunto, os ministérios da Agricultura e Pecuária e das Relações Exteriores destacaram que a decisão chinesa tende a ampliar o acesso de produtos bovinos e suínos brasileiros ao mercado, incluindo itens como miúdos e carne com osso.
Essa abertura representa uma oportunidade para diversificar as exportações e atender a uma gama maior de demandas do mercado asiático.
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O ministro da Agricultura, André de Paula, intensificou os esforços diplomáticos em maio de 2026, buscando ampliar o acesso da carne bovina brasileira à China. Durante uma visita a Pequim, ele solicitou que o país reconsiderasse a alocação de cotas anteriormente utilizadas por outros países, uma demanda que, no entanto, foi negada pela Reuters.
Redução de Cotas e Impacto no Setor
Em dezembro de 2025, a China estabeleceu um limite de 2,7 milhões de toneladas para as importações de carne brasileira, um volume inferior às estimativas de 3 milhões de toneladas para o ano. Essa redução impacta diretamente o Brasil, que terá um limite de 1,1 milhão de toneladas com isenção tarifária, uma diminuição de quase 600 mil toneladas em relação às exportações de 2025.
O setor frigorífico, especialmente a Fazenda Bela Vista, que enviou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina à China em 2025 (representando 48,3% do volume exportado, segundo dados da Abiec), enfrenta desafios para ajustar sua produção e logística a essa nova realidade.
A situação exige estratégias de adaptação e diversificação para mitigar os impactos da redução nas exportações.
Surtos de Febre Aftosa na China
Paralelamente a essas negociações, a China enfrentou desafios com surtos de febre aftosa. Em março de 2026, a doença foi confirmada em um rebanho de bovinos na província de Gansu e na região de Xinjiang, afetando 6.229 animais. As autoridades confirmaram a doença em 219 bovinos.
Os surtos foram detectados nos condados de Yining (Xinjiang) e Gulang (Gansu), levando ao abate de 6.229 cabeças de gado. Em resposta, Pequim reforçou o controle nas fronteiras para evitar a entrada e saída de animais, buscando conter a propagação da doença.
A febre aftosa, um vírus resistente a desinfetantes comuns, pode ser transmitida por ingestão de alimentos ou pelo vento, afetando diversas espécies, conforme estudo da Embrapa.
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