China Reduz Instalações de Energia Solar em 2026
A China deverá diminuir a instalação de energia solar em 2026, marcando a primeira contração anual desde 2019. Essa desaceleração ocorre em um cenário de sobrecapacidade e uma transição para preços de eletricidade orientados pelo mercado, após um período de crescimento recorde nas instalações no ano anterior.
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A perspectiva sinaliza um ponto de inflexão para o maior mercado de energia renovável do mundo, com o crescimento dando lugar à consolidação e à competição se concentrando cada vez mais no valor em vez da escala.
Sobrecapacidade e Mudanças Regulatórias
A capacidade recém-instalada está prevista entre 180 e 240 gigawatts, uma queda de 24% a 43% em relação a 2025, segundo Wang Bohua, consultor da CPIA (Associação Chinesa da Indústria Fotovoltaica), que comentou o simpósio anual do grupo na 5ª feira (5.fev.2026). Essa retração é impulsionada por novas políticas de gestão de energia solar distribuída e tarifas de incentivo baseadas no mercado, que entraram em vigor no primeiro semestre de 2025.
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A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e a Administração Nacional de Energia exigiram que novos projetos iniciados após 1º de junho de 2025 participassem de licitações para acesso à rede e enfrentassem preços baseados no mercado.
Excesso de Oferta e Queda de Preços
O setor enfrenta um excesso de oferta significativo. Até o final de 2025, a capacidade de produção de polissilício, wafers, células e módulos ultrapassou 3,5 milhões de toneladas, 1.500 GW, 1.400 GW e 1.100 GW, respectivamente – números de 3 a 6 vezes maiores do que no final de 2020.
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Os preços do polissilício caíram 76,3% de 2021 a 2025, os dos wafers 82,8%, os das células 71,1% e os dos módulos 62,1%. A demanda permanece fraca no início de 2026. A BloombergNEF estima que as novas instalações de energia solar em todo o mundo diminuirão pela 1ª vez em 2026, projetando uma queda de 0,7%, para 648 GW.
Projeções Futuras
Wang Shijiang, vice-diretor do Departamento de Informação Eletrônica do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, afirmou na 5ª feira (5.fev) que combater a “concorrência excessiva” no setor é uma das principais prioridades para 2026.
Ele alertou que o setor está passando por um profundo ajuste, no qual o descompasso fundamental entre oferta e demanda ainda não foi resolvido e as operações corporativas enfrentam desafios significativos. Para o período de 2026 a 2030, Wang Bohua projetou que a China adicionaria uma média de 238 GW a 287 GW de capacidade solar anualmente, enquanto as adições globais teriam uma média de 725 GW a 870 GW por ano.
Esta reportagem foi originalmente em inglês pela Caixin Global em 6.fev.2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.
