A Trajetória da China: Da Pobreza à Superpotência
Após um ciclo revolucionário de quase 40 anos, a República Popular da China, fundada em 1949, enfrentava um cenário de extrema pobreza. O país, com uma população rural estimada em cerca de 540 milhões de pessoas, era um dos mais pobres do mundo.
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A expectativa de vida média era de apenas 35 anos, e a taxa de alfabetização não passava de 20%. Atualmente, com um Produto Interno Bruto de aproximadamente US$ 18,74 trilhões, a China se consolidou como a segunda maior economia do mundo, rivalizando com os Estados Unidos em diversos setores tecnológicos de vanguarda.
Inovação e Transformação Econômica
A China tem demonstrado um processo de construção de infraestrutura e urbanização sem precedentes, com um crescimento econômico exponencial. O país se destaca em áreas como energia renovável, telecomunicações 5G, inteligência artificial, supercomputadores, robótica industrial, ferrovias de alta velocidade e veículos elétricos.
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Essa transformação foi impulsionada por reformas estratégicas, como as “Quatro Modernizações” implementadas por Deng Xiaoping a partir de 1978.
As “Quatro Modernizações” e o Salto Adiante
O programa das “Quatro Modernizações” – agricultura, indústria, ciência e tecnologia, e defesa nacional – representou um ponto de virada na história da China. Após a tentativa fracassada de industrialização, conhecida como “Grande Salto Adiante” (1958-1962) e a “Revolução Cultural Proletária” (1966-1976), ambos liderados por Mao Zedong, a China conseguiu se reerguer com a implementação dessas políticas.
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A Abertura ao Mundo e a Ascensão Global
A adesão da China à Organização Mundial do Comércio em 2001, sob o comando de Jiang Zemin, acelerou o processo de modernização e integração à economia global. A criação de Zonas Econômicas Especiais, com incentivos para investimentos estrangeiros, e a autonomia das grandes empresas estatais foram outros fatores cruciais.
O crescimento de pequenas e médias empresas também contribuiu para essa transformação.
Diplomacia e Estratégia de Longo Prazo
A diplomacia chinesa, caracterizada por um perfil discreto (Taoguang Yanghui) sob a liderança de Deng Xiaoping, priorizava o crescimento econômico sem gerar alarme nas grandes potências. Essa estratégia se manifestou na construção de alianças, como a criação do BRICS e a Nova Rota da Seda, além da participação no RCEP.
A China também investe pesadamente em recursos culturais, através dos Institutos Confúcio, que hoje abrangem mais de 525 unidades em todo o mundo.
O Tempo como Vantagem Estratégica
Com uma perspectiva de longo prazo, a China se destaca pela capacidade de mobilizar o tempo politicamente. Diferentemente das democracias ocidentais, sujeitas a ciclos eleitorais curtos, o Partido Comunista Chinês trabalha com horizontes de décadas, permitindo o planejamento econômico de longo prazo, a diplomacia contínua e a construção gradual de influência.
A China, portanto, discute o que será da potência em 2050, enquanto o Ocidente se preocupa com as próximas eleições.
