O uso excessivo da força letal por parte das polícias como estratégia de segurança no país tem gerado um aumento da violência e da insegurança, segundo a avaliação do diretor da organização não governamental (ONG) brasileira, César Muñoz.
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A entidade divulgou, nesta quarta-feira (4), seu relatório, que analisa a situação dos direitos humanos em mais de 100 países.
O documento revela que, entre janeiro e novembro de 2025, as forças policiais mataram 5.920 pessoas no Brasil. Dados também indicam que a população negra tem três vezes e meia mais chances de ser vítima de violência policial em comparação com a população branca.
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Operação Contenção e a Realidade nas Favelas
Uma ação específica, chamada Operação Contenção, realizada nos Complexos da Penha e Alemão no Rio de Janeiro em outubro de 2025, visava capturar líderes da facção Comando Vermelho. No entanto, César Muñoz critica a abordagem, argumentando que “não funciona entrar na favela atirando”.
Ele enfatiza que essa estratégia não desmantela grupos criminosos, apenas aumenta a insegurança e coloca os próprios policiais em risco.
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Saúde Mental dos Policiais e a Necessidade de Apoio
Em 2025, 185 policiais foram mortos e 131 cometeram suicídio, segundo dados do Ministério da Justiça. A HRW destaca que a taxa de suicídio entre policiais é significativamente maior do que a da população em geral, refletindo a exposição desses agentes à violência e a falta de apoio adequado à sua saúde mental.
Demandando Transparência e Responsabilidade
César Muñoz defende a necessidade de propostas baseadas em dados e ciência para desmantelar grupos criminosos, com investigações independentes que identifiquem ligações entre grupos criminosos e agentes do Estado. Ele ressalta a importância de uma apuração adequada dos casos de morte decorrente de intervenção policial, citando o exemplo da Operação Contenção no Rio de Janeiro, onde a falta de independência da perícia, subordinada à Polícia Civil, é um problema.
Corrupção e Desconfiança nas Autoridades
Além da letalidade policial, a corrupção dentro das forças de segurança pública e os abusos cometidos pela polícia contribuem para a desconfiança das comunidades nas autoridades. Essa desconfiança dificulta a denúncia de crimes e a colaboração com as investigações.
A diretora-executiva do FBSP, Samira Bueno, reforça que “polícias violentas e polícias corruptas fortalecem a ação do crime organizado”. Ela enfatiza que a corrupção estatal é um fator crucial na expansão das facções criminosas no Brasil.
A especialista destaca a importância de mecanismos de controle da atividade policial e o papel do Ministério Público na investigação de casos de abuso e violência policial, alertando para a necessidade de evitar execuções sumárias, como foi observado em ocorrências recentes.
