Centauro: Lições de Sobrevivência em Tempos de Hiperinflação Reveladas por José Bomfim
Empreender no Brasil: Uma Perspectiva Histórica
Não é fácil empreender no Brasil atualmente, mas a avaliação de José Bomfim, fundador da Centauro, é que já foi um desafio ainda maior, especialmente considerando a inflação que atingiu picos de até 80% ao mês em determinados períodos.
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Bomfim iniciou seu negócio em 1981, um período marcado por uma das fases mais instáveis da economia brasileira, caracterizada por hiperinflação, sucessivos planos econômicos e uma grande incerteza. Para os pequenos varejistas, a operação exigia uma gestão extremamente ágil, com decisões a serem tomadas em tempo real. “Era preciso receber o dinheiro antes das quatro da tarde para conseguir pagar as contas no banco.
A instabilidade era outra coisa”, relata.
A falta de previsibilidade de preços, o acesso limitado ao crédito e as constantes mudanças nas regras do mercado tornavam a sobrevivência das empresas dependente de uma gestão financeira rigorosa e de um controle preciso do fluxo de caixa. A Centauro, que começou como uma pequena loja com quatro funcionários em Belo Horizonte, transformou-se em uma das maiores redes de varejo esportivo do país, com mais de 230 lojas e uma receita líquida de R$ 4,1 bilhões em 2025.
Atualmente, o empresário destaca que, embora o ambiente de negócios seja mais competitivo e exigente, a situação é menos crítica do que na década de 1980. No entanto, ele ressalta a importância de manter a atenção à dinâmica do consumo, especialmente diante do alto nível de endividamento das famílias no Brasil, que atingiu um novo recorde em janeiro de 2026, com 81,3 milhões de pessoas inadimplentes, segundo dados da Serasa.
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Para José Bomfim, o foco atual deve estar na execução, na diferenciação e na capacidade de adaptação, princípios que se mantêm relevantes, independentemente do cenário econômico. “Não tem jeito: é trabalhar, persistir e entender o cliente”, afirma.
A trajetória da Centauro, que abriu capital em 2019 e passou a fazer parte do Grupo SBF (que também controla a Fisia, distribuidora da Nike no Brasil), ilustra o crescimento e a consolidação de uma empresa que se adaptou e prosperou em um mercado desafiador.
A empresa hoje equilibra as operações de varejo e distribuição, consolidando sua posição como um dos principais players do setor esportivo no país.
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