A Estranha AusĂȘncia do Celular nos Sonhos
O celular se tornou um companheiro constante na vida moderna, presente em quase todas as nossas atividades diĂĄrias. No entanto, uma observação intrigante se destaca: o aparelho raramente aparece nos nossos sonhos. Essa discrepĂąncia levanta questĂ”es sobre como o cĂ©rebro seleciona e processa informaçÔes durante o sono, e por que certos elementos da nossa vida cotidiana sĂŁo negligenciados no mundo onĂrico.
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Pesquisas revelam que, em mĂ©dia, as pessoas checam seus smartphones cerca de 186 vezes por dia, um hĂĄbito que se traduz em uma olhada a cada cinco minutos enquanto estĂŁo acordadas. No entanto, o celular aparece em menos de 1% dos quase 4,5 milhĂ”es de sonhos catalogados no Sleep and Dream Database, um banco de dados que reĂșne relatos de sonhos obtidos por diferentes fontes.
Segundo o psicólogo e pesquisador de sonhos Kelly Bulkeley, a presença do celular em sonhos era de apenas 3,55% entre mulheres e 2,69% entre homens em 2016.
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Por Que Carros e Viagens Aparecem Mais do que Celulares nos Sonhos?
Bulkeley nĂŁo apresentou uma explicação definitiva, mas apontou um contraste significativo: meios de transporte costumam ser mais comuns nos sonhos do que tecnologias de comunicação. Ele sugere que experiĂȘncias ligadas a deslocamento tĂȘm um impacto sensorial e fĂsico mais intenso, afetando o corpo de forma mais direta e visceral.
Carros, viagens e movimento afetam o corpo de maneira mais intensa, enquanto celulares, vĂdeos e computadores podem ser envolventes, mas nĂŁo provocam o mesmo tipo de estĂmulo corporal.
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Psicoterapeuta Diz que Celular Ă© âMeioâ, nĂŁo Emoção
Outra hipĂłtese Ă© defendida pela psicoterapeuta Brigitte Holzinger, diretora do Instituto de Pesquisa da ConsciĂȘncia e dos Sonhos, em Viena, na Ăustria. Segundo ela, o celular pode nĂŁo aparecer nos sonhos porque funciona mais como uma plataforma do que como um gatilho emocional em si.
A ideia Ă© que tendem a surgir com mais força em experiĂȘncias diretas â como interaçÔes presenciais â do que em situaçÔes mediadas por uma tela.
Pouco Peso SimbĂłlico para o Subconsciente
A psiquiatra Sham Singh, da rede Winit, tambĂ©m apresentou uma explicação semelhante em 2025. Segundo ela, o telefone Ă© um dispositivo usado de maneira consciente, mas com pouca carga simbĂłlica, o que reduziria sua chance de aparecer nos sonhos. Ela ainda argumenta que a tecnologia muda tĂŁo rĂĄpido que o pode nĂŁo ter tempo de incorporar esses objetos Ă âlinguagem simbĂłlicaâ tĂpica do sonho.
Hipótese Evolutiva Sugere que Sonhos Priorizam Ameaças Antigas
Uma terceira explicação citada no texto vem da jornalista cientĂfica Alice Robb, autora do livro Why We Dream: The Transformative Power of Our Nightly Journey. Em entrevista ao site The Cut, ela relacionou o tema Ă âhipĂłtese de simulação de ameaçaâ.
Essa teoria sugere que sonhar pode funcionar como uma forma de lidar com medos e ansiedades em um ambiente seguro, como se fosse um treinamento mental para situaçÔes estressantes. Dentro dessa lĂłgica, os sonhos teriam sido moldados ao longo da evolução humana, o que faria com que temas ligados Ă sobrevivĂȘncia aparecessem mais do que elementos recentes, como tecnologias modernas.
Robb também menciona que pessoas tendem a sonhar menos com leitura e escrita, por exemplo, e mais com situaçÔes como luta e perigo, mesmo quando isso não faz parte da vida real.
Apesar das HipĂłteses, o Texto Reforça que Sonhos sĂŁo Complexos e NĂŁo HĂĄ uma Explicação Ănica Capaz de Servir para Todos
Conforme destaca a neurofisiologista William Dement, um dos nomes mais conhecidos da medicina do sono, o sonho permite que cada pessoa seja âinsana, em silĂȘncio e com segurança todas as noitesâ, e talvez o celular simplesmente nĂŁo seja um elemento central nesse cenĂĄrio.
