A Estranha Ausência do Celular nos Sonhos
O celular se tornou um companheiro constante na vida moderna, presente em quase todas as nossas atividades diárias. No entanto, um fenômeno intrigante se destaca: a raridade do aparelho nos sonhos. Apesar da intensa utilização do smartphone ao longo do dia, bancos de dados e especialistas indicam que o dispositivo aparece em pouquíssimos sonhos, levantando questões sobre como o cérebro seleciona imagens e símbolos durante o sono.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Uma pesquisa realizada pelo site Reviews.org nos Estados Unidos no ano passado revelou que as pessoas checam o celular em média 186 vezes por dia, o que equivale a uma olhada a cada cinco minutos enquanto estão acordadas. Adicionalmente, 46% dos entrevistados se consideravam viciados.
No Brasil, um estudo de 2023 do Instituto Datafolha estimou que brasileiros passam 56% do dia em frente a telas de celular e computador. Mesmo com essa alta frequência, o aparelho raramente surge nos sonhos.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Dados Sobre a Presença do Celular nos Sonhos
Uma plataforma que reúne relatos de sonhos, o Sleep and Dream Database, revela que apenas 0,99% dos quase 4,5 milhões de sonhos catalogados registram a palavra “phone” (telefone, em inglês) ou variações. O psicólogo e pesquisador de sonhos Kelly Bulkeley, criador do banco, analisou a presença de tecnologia nos sonhos em um artigo de 2016.
Ele identificou que celulares apareciam em 3,55% dos sonhos entre mulheres e em 2,69% entre homens.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
LEIA TAMBÉM!
Possíveis Explicações para a Ausência do Celular nos Sonhos
Um dos fatores apontados é o contraste entre o uso do celular e a frequência com que elementos relacionados a experiências físicas e sensoriais aparecem nos sonhos. O pesquisador Bulkeley destacou que meios de transporte, como carros e viagens, costumam ser mais comuns nos sonhos do que tecnologias de comunicação.
Ele acredita que isso ocorre porque experiências ligadas a deslocamento têm um impacto sensorial e físico mais intenso.
Outra hipótese é defendida pela psicoterapeuta Brigitte Holzinger, que sugere que o celular funciona mais como uma plataforma do que como um gatilho emocional. A ideia é que tendem a surgir com mais força em experiências diretas — como interações presenciais — do que em situações mediadas por uma tela.
A psiquiatra Sham Singh também argumenta que o telefone é um dispositivo usado de maneira consciente, mas com pouca carga simbólica, o que reduziria sua chance de aparecer nos sonhos.
A Importância da Hipótese de Simulação de Ameaças
Uma terceira explicação, apresentada pela jornalista científica Alice Robb, é a “hipótese de simulação de ameaça”. Essa teoria sugere que sonhar pode funcionar como uma forma de lidar com medos e ansiedades em um ambiente seguro, como se fosse um treinamento mental para situações estressantes.
Robb também menciona que pessoas tendem a sonhar menos com leitura e escrita, por exemplo, e mais com situações como luta e perigo, mesmo quando isso não faz parte da vida real.
A neurofisiologista William Dement, um dos nomes mais conhecidos da medicina do sono, reforça que sonhos são complexos e que o celular simplesmente pode não ser um elemento central nesse cenário.
