Cartos e o Enigma do Banco Master: Uma Investigação em Andamento
Em fevereiro de 2026, o Poder360 mergulhou em uma complexa teia de informações envolvendo a Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A. e o colapso do Banco Master. A investigação, que se estende desde junho de 2025, revela um padrão preocupante na forma como a Cartos operava, levantando questionamentos sobre a gestão de riscos e a conformidade regulatória.
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A empresa, que atua no segmento S5 – o menor na escala do Banco Central – afirmou, em diversas ocasiões, que não originou, estruturou ou comercializou créditos relacionados às operações do Banco Master. A Cartos, com sede na Faria Lima, está no centro da produção de créditos podres no caso do Banco Master, mas a empresa nega qualquer envolvimento direto.
A Complexidade das Operações e os FIDC’s
A investigação do Poder360 revelou que a Cartos operava com uma rede de correspondentes bancários espalhados pelo país, sustentada por uma logística que permitia a venda de créditos a três fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC): Noto, Sueste e VCK.
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Essa estratégia, segundo documentos do Banco Central, demonstra que os mesmos créditos apresentados ao BRB como lastro das operações do Banco Master foram vendidos a outros três compradores. A empresa não cedeu operações diretamente à Tirreno ou ao Banco Master, mas a rede de intermediários permitiu que os mesmos créditos circulassem no mercado, gerando dúvidas sobre a real intenção da Cartos.
O Papel de André Felipe de Oliveira Seixas Maia
Um ponto crucial da investigação é o depoimento do empresário André Felipe de Oliveira Seixas Maia, que trabalhou tanto no Master quanto na Cartos. Maia, que fez parte da equipe que ajudou a autoridade monetária a confirmar as irregularidades, admitiu ter “gerado” valores como R$ 50 milhões, R$ 30 milhões e R$ 50 milhões.
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Após uma hora de questionamento, os valores subiram, chegando a R$ 6 bilhões, um valor considerado “impossível do ponto de vista técnico”, segundo o diretor do BC, dado que a Cartos é uma “empresa pequena” e a Tirreno é uma empresa “desconhecida”.
A participação de Maia, juntamente com o fato de que ele não é mais diretor da Cartos desde maio de 2021, intensifica as suspeitas sobre a coordenação das operações.
A Supervisão do Banco Central e as Dúvidas Persistentes
O Banco Central, por meio do diretor de Fiscalização Ailton de Aquino, tem acompanhado de perto a investigação. Aquino confirmou que a Cartos, apesar de não ter sido diretamente envolvida nas operações do Banco Master, estava no centro da produção de créditos podres.
A investigação também revelou que alguns diretores da Cartos falavam: “Eu nunca ouvir falar da Tirreno”, evidenciando a falta de conhecimento sobre as operações que a empresa estava realizando. A Cartos é uma instituição financeira regulada e supervisionada pelo Banco Central, enquanto a Tirreno não é uma sociedade anônima fechada fora da alçada do Banco Central.
Conclusão: Uma Teia de Interconexões e a Busca por Responsabilidades
A investigação do Poder360 expõe uma complexa teia de interconexões entre a Cartos, o Banco Master, a Tirreno e outros intermediários. Embora a Cartos negue qualquer envolvimento direto nas operações fraudulentas, a forma como a empresa operava, a participação de figuras-chave como André Felipe de Oliveira Seixas Maia e a complexidade das operações com FIDC’s, levantam sérias questões sobre a supervisão e a conformidade regulatória.
A busca por responsabilidades continua, com o Banco Central e o Ministério Público Federal acompanhando de perto a investigação, na esperança de desvendar a verdade por trás do colapso do Banco Master e garantir que crimes financeiros sejam punidos.
