Cartos e as Investigações do Banco Master: Uma Complexa Teia de Créditos
Em fevereiro de 2026, a Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A. emitiu uma declaração ao Poder360, buscando esclarecer seu papel nas investigações que cercam o Banco Master. A empresa negou qualquer envolvimento direto na criação, estruturação ou comercialização de créditos relacionados às operações irregulares do banco.
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A declaração veio após um período de intensa pressão do Banco Central, que investigava a gestão da Cartos e seu possível papel na emissão de títulos de créditos falsos.
A Declaração da Cartos
A Cartos afirmou que nunca houve operações entre a empresa e o Banco Master, nem cessões, aquisições, vendas de ativos, créditos ou títulos. A empresa enfatizou que seu core business não envolve lidar diretamente com pessoas físicas. A declaração veio acompanhada de uma investigação interna, que concluiu que não havia nenhuma operação irregular, nem evidências de negócios com a Tirreno ou o Banco Master.
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A Cartos se define como uma instituição que opera com rigorosos padrões de ética, integridade, governança corporativa e conformidade regulatória, seguindo as melhores práticas do mercado financeiro.
A Complexidade da Rede de Créditos
No entanto, a declaração da Cartos não conseguiu dissipar as dúvidas. O Banco Central, através de documentos produzidos e encaminhados ao Ministério Público Federal, revelou que a empresa havia cedido operações de créditos a três fundos de investimentos em direitos creditórios – FIDC: Noto, Sueste e VCK – e não à Tirreno ou ao Banco Master.
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O documento apontava que os mesmos créditos apresentados ao BRB como lastro das operações do Banco Master já haviam sido vendidos a outros três compradores. Isso indicava que as mesmas carteiras falsas, com os mesmos falsos tomadores de crédito, foram copiadas e revendidas simultaneamente para múltiplas instituições do mercado financeiro regulado.
Envolvimento de Figuras Chave e a Reunião de Junho de 2025
A investigação revelou a participação de figuras-chave, como Henrique Souza e Silva Peretto, fundador e ex-sócio-presidente da Cartos; Fabio Antonio da Costa, presidente da Cartos; Yim Kyu Lee, ex-diretor da Cartos; e André Felipe de Oliveira Seixas Maia, ex-funcionário do Master e sócio da Tirreno.
A declaração do diretor do Banco Central, Ailton de Aquino, sobre a participação de André Maia – que começou com declarações sobre a geração de R$ 50 milhões e R$ 30 milhões, antes de ser questionado – evidenciou a complexidade da situação.
A reunião de junho de 2025, que reuniu essas figuras, intensificou as suspeitas sobre a coordenação das operações.
A Cartos em 2026: Uma Instituição em Transformação
Em 2026, a Cartos continua a operar, apesar das investigações. A empresa é uma instituição financeira regulada e supervisionada pelo Banco Central, com um porte que a distancia dos bancos comerciais, com menos de 0,1% do PIB. A empresa se define como uma instituição financeira do segmento S5, o menor na escala do Banco Central.
A saída de André Seixas Maia e Henrique Peretto, assinada em novembro de 2025 e aguardando a validação do Banco Central, demonstra uma tentativa de se afastar de um passado problemático. A Cartos busca se redefinir em um mercado financeiro em constante transformação.
