O julgamento sobre a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), atualmente presa em Roma, Itália, está marcado para esta terça-feira, 10. A decisão final caberá à Justiça italiana, que conduzirá o procedimento. A situação se desenvolve após a solicitação de extradição feita pelo Brasil, motivada pela saída de Zambelli do país após sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
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Argumentos da Defesa Italiana
A defesa de Zambelli na Itália expressa “boa expectativa” em relação ao desfecho da audiência. O advogado Fabio Pagnozzi, responsável pela representação legal da ex-parlamentar no país, destaca o trabalho do senador italiano Matteo Gelmetti, que tem atuado junto ao Ministério da Justiça para tentar impedir a extradição.
Gelmetti argumenta que houve um suposto desrespeito às garantias processuais no Brasil, apontando o ministro Alexandre de Moraes do STF como “relator, vítima e acusador”, conforme suas palavras.
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Questionamentos sobre a Obtenção do Endereço
Adicionalmente, a defesa de Zambelli levantou preocupações sobre a forma como o endereço da ex-parlamentar foi obtido em Roma. O senador Gelmetti solicitou esclarecimentos às autoridades italianas sobre como o deputado Angelo Bonelli, do Partido Verde da Itália, conseguiu o endereço.
A alegação é de que Bonelli não teria acesso às investigações da polícia local, o que, segundo a defesa, “muda muito” a situação.
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Contexto da Condenação e Investigação
Carla Zambelli foi condenada duas vezes pelo STF. Inicialmente, recebeu pena de dez anos de prisão por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica, em conluio com o hacker Walter Delgatti Neto. Segundo a acusação, ela contratou Delgatti para inserir documentos falsos no sistema do CNJ, incluindo um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Após a condenação, Zambelli deixou o Brasil e foi presa na Itália em operação conjunta da Polícia Federal com autoridades locais.
Na segunda condenação, o STF fixou pena de cinco anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, com perda do mandato após o trânsito em julgado. Esse caso está relacionado a uma confusão ocorrida no dia das eleições de 2022, onde Zambelli foi vista com uma pistola e agredindo um homem negro, com um tiro sendo disparado pelo grupo.
