Candidato Acha que Fuvest o Puniu com Nota Zero: “Exibicionismo” Causa Polêmica!

Luiz Henrique Bessa busca anular nota zero na Fuvest! Polêmica redação chocada viraliza e causa revolta. Descubra o caso!

27/03/2026 16:27

2 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Candidato Busca Justificativa para Nota Zero em Redação da Fuvest

O jovem Luis Henrique Etechebere Bessa, de 18 anos, entrou com uma ação na Justiça para questionar a Fuvest sobre a atribuição de nota zero à sua redação no vestibular de 2026. O caso ganhou destaque nas redes sociais devido ao uso de um vocabulário extremamente arcaico e incomum na abertura do texto, que dizia: “Perpassa em altivez, pela procela, a grandiloquência condoreira, em cuja máxima aforismática revela a tétrica languidez do sofrer recôndito”.

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Após a repercussão, o candidato deletou todas as publicações relacionadas ao caso.

Resposta da Fuvest e Análise do Caso

A Fuvest esclareceu que a nota zero foi aplicada porque o texto não demonstrou compreender e desenvolver o tema central proposto: “O perdão é um ato que pode ser condicionado ou limitado”. A instituição informou que não foram identificados indícios de intertextualidade ou progressão textual que sustentassem a discussão sobre o perdão.

Para garantir a isenção do processo, a fundação detalhou que a redação passou por três avaliações cegas independentes, procedimento padrão que pode chegar a quatro correções em casos de divergência.

Análise de um Especialista

Em entrevista à CNN, Sérgio Paganim, professor e coordenador de Redação do Curso Anglo, explicou que o gênero dissertativo-argumentativo exige um posicionamento claro, sustentado por argumentos e reflexões autorais. Paganim identificou o que chamou de “exibicionismo de repertório” no texto de Bessa, descrevendo-o como uma colagem de conceitos e pensadores, como Ferdinand de Saussure, que não estavam a serviço de uma ideia central.

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Segundo o professor, a nota zero foi atribuída por uma série de razões, incluindo a falta de ligação entre as ideias apresentadas e o tema central.

Paganim ressaltou que o texto era uma “colagem de uma série de pensadores, de conceitos, mas que não estão a serviço de um posicionamento claro a respeito do tema do perdão limitado ou condicionado”. Ele também apontou que, embora o autor mencionasse o tema proposto no final do texto, o desenvolvimento não foi pensado para sustentar um posicionamento a respeito do assunto. “Parece mais um texto em que há uma série de argumentos de autoridade, de pensadores e de conceitos articulados entre si e só”, afirmou.

Foco na Estrutura do Texto

Além do excesso de repertório, o professor Paganim destacou que a dificuldade de entendimento dos conceitos apresentados também contribuiu para a nota zero. Ele explicou que a linguagem utilizada dificultava a identificação de um projeto de texto com clareza de tese e os argumentos que a sustentam. “É, na verdade, um texto que hierarquiza ideias: diante de um tema, apresenta-se o posicionamento do autor e, para a sustentação desse posicionamento, algumas reflexões que podem, inclusive, ser fundamentadas no pensamento de filósofos, sociólogos, literatos — mas não é o que se vê aqui”, concluiu.

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