Calor extremo ameaça sistemas globais: o que esperar para a produção de alimentos?

Calor extremo ameaça sistemas alimentares globais! Saiba como as altas temperaturas afetam a produção de alimentos e o futuro de mais de um bilhão de pessoas.

22/04/2026 16:24

3 min

Calor extremo ameaça sistemas globais: o que esperar para a produção de alimentos?
(Imagem de reprodução da internet).

Calor Extremo Ameaça Sistemas Alimentares Globais e Populações

O avanço do calor extremo está levando os sistemas agroalimentares ao limite, aumentando os riscos para mais de um bilhão de pessoas no planeta. Um relatório conjunto, divulgado nesta quarta-feira, dia 22, alerta sobre os crescentes efeitos das altas temperaturas na produção de alimentos e nos meios de subsistência.

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Segundo o documento, o calor atua como um multiplicador de riscos sistêmicos. Ele tem intensificado secas, incêndios florestais e surtos de pragas, além de comprometer diretamente a atividade agrícola. As ondas de calor estão se tornando mais frequentes, intensas e prolongadas, causando danos significativos às plantações, ao gado, à pesca e às florestas.

Impactos Observados no Brasil e em Culturas Chave

No Brasil, os efeitos do calor extremo já geraram perdas concretas na produção agrícola e eventos climáticos cada vez mais severos. A projeção inicial para a safra de soja era de 162 milhões de toneladas, mas foi revisada para 147,7 milhões até maio de 2024, representando uma queda de quase 10%.

Em estados como São Paulo, as perdas foram ainda mais notáveis, ultrapassando 20% na soja e 10% no milho da primeira safra. A análise apontou que, em algumas regiões, as temperaturas máximas diárias ficaram mais de 5°C acima da média por meses consecutivos, agravando a seca e elevando o risco de incêndios.

Diferentes Cenários Climáticos Regionais

No Centro-Oeste, principal polo agrícola do Brasil, o impacto foi sentido diretamente no risco de fogo. O percentual de dias acima do limiar crítico subiu até 40 pontos percentuais, o que equivale a cerca de 150 dias adicionais em comparação com a climatologia de referência.

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Já no Sul, o cenário foi marcado por outro extremo climático. Entre abril e maio de 2024, durante enchentes históricas, os volumes de chuva superaram 500 mm em muitas áreas, chegando a mais de 700 mm em alguns municípios. Isso resultou em queda de produtividade do arroz em 3,6% e na destruição de até 2 milhões de toneladas de soja ainda não colhida.

Prejuízos Econômicos e Impactos na Pecuária

O impacto econômico foi substancial, com o documento apontando perdas agrícolas de R$ 1,2 bilhão e danos severos em cerca de 600 mil hectares de pastagens no estado. A perda de produtividade já é visível nas principais culturas.

Globalmente, a pesquisa indica que, a cada 1°C de aquecimento, as produtividades caem em média: 7,5% no milho, 6,0% no trigo, 6,8% na soja e 1,2% no arroz. Para os próximos anos, milho e trigo podem sofrer perdas de 4% a 10% por cada grau adicional de aquecimento.

Efeitos na Produção Animal e no Trabalho Rural

Os efeitos se estendem à pecuária, afetando a mortalidade e a produtividade. Em cenários de calor extremo, a mortalidade de bovinos pode atingir 24% do rebanho. Em vacas leiteiras, há uma perda anual de 1% na produção por estresse térmico e uma redução de 0,5% na produção diária para cada hora acima de 26°C.

O impacto mais crítico, contudo, recai sobre o trabalho no campo. O relatório alerta que o aumento das temperaturas torna o trabalho rural perigoso e, por vezes, inviável por longos períodos. Em algumas regiões, os dias muito quentes para o trabalho podem chegar a 250 anualmente.

Desigualdades e Riscos à Saúde no Campo

Além do risco imediato de exaustão e desidratação, o calor prolongado diminui a capacidade física e a produtividade da mão de obra. O estresse térmico limita o tempo seguro de trabalho ao ar livre, afetando diretamente a renda das famílias rurais.

O calor extremo também acentua desigualdades sociais no campo, pois pequenos produtores e trabalhadores informais têm menor acesso a tecnologia e proteção. A combinação de calor intenso com alta umidade eleva os riscos de doenças relacionadas ao calor e acidentes de trabalho, somando-se aos problemas de estresse hídrico e secas repentinas.

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