Calor extremo ameaça a produção de alimentos e gera perdas na safra brasileira? Veja!

Calor extremo ameaça a produção global de alimentos! Saiba como as altas temperaturas afetam a safra no Brasil e o que esperar para 2026. Clique e confira!

22/04/2026 16:22

4 min

Calor extremo ameaça a produção de alimentos e gera perdas na safra brasileira? Veja!
(Imagem de reprodução da internet).

Calor Extremo Ameaça Sistemas Agroalimentares Globais

O avanço do calor extremo está levando os sistemas agroalimentares ao limite, elevando riscos significativos para mais de um bilhão de pessoas no planeta. Um relatório conjunto, divulgado nesta quarta-feira, 22, alerta sobre os crescentes efeitos das altas temperaturas na produção de alimentos e nos meios de subsistência humanos.

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Segundo o documento, o calor atua como um intensificador de riscos sistêmicos. Ele tem potencializado secas, incêndios florestais e surtos de pragas, além de comprometer diretamente a capacidade produtiva da agricultura.

Impactos Observados na Produção Agrícola Brasileira

As ondas de calor estão se tornando mais frequentes, intensas e prolongadas, causando danos notáveis às plantações, ao gado, à pesca e às florestas, conforme aponta o relatório. No Brasil, os efeitos do calor extremo já geraram perdas concretas na lavoura e eventos climáticos cada vez mais severos.

Queda na Safra e Perdas Regionais

A projeção inicial para a safra de soja era de 162 milhões de toneladas, mas foi revisada para 147,7 milhões até maio de 2024, representando uma queda de quase 10%. Em São Paulo, as perdas foram ainda mais acentuadas, ultrapassando 20% na soja e 10% no milho da primeira safra.

A análise detalha que, em algumas regiões, as temperaturas máximas diárias superaram em mais de 5°C a média por meses consecutivos. Esse calor persistente agravou a seca agrícola e aumentou o risco de incêndios em todo o país.

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Diferentes Cenários Climáticos no Brasil

No Centro-Oeste, área crucial para a agricultura brasileira, o impacto foi sentido diretamente no risco de incêndios. O percentual de dias acima do limiar crítico subiu até 40 pontos percentuais, o que equivale a cerca de 150 dias adicionais em comparação com a climatologia de referência.

Já no Sul, o cenário foi marcado por outro tipo de extremo climático. Durante as enchentes históricas entre abril e maio de 2024, os volumes de chuva excederam 500 mm em muitas áreas, chegando a mais de 700 mm em alguns municípios.

Prejuízos em Culturas e Economia Local

Nesse contexto, a produtividade do arroz sofreu uma queda de 3,6%, e até 2 milhões de toneladas de soja ainda não colhidas foram destruídas. O impacto econômico foi grande, com perdas agrícolas estimadas em R$ 1,2 bilhão e danos severos em aproximadamente 600 mil hectares de pastagens no estado.

Impactos Globais e na Pecuária

A perda de produtividade já é visível nas principais culturas globalmente. Em média, as produtividades caem 7,5% no milho, 6,0% no trigo, 6,8% na soja e 1,2% no arroz para cada 1°C de aquecimento, segundo os dados da pesquisa.

Para os próximos anos, milho e trigo podem enfrentar perdas de 4% a 10% para cada grau adicional de aquecimento. Os efeitos se estendem à pecuária, afetando a mortalidade e a produtividade. Em cenários de calor extremo, a mortalidade de bovinos pode atingir 24% do rebanho.

Estresse Térmico na Produção de Leite

Em vacas leiteiras, há uma perda anual de produção de 1% devido ao estresse térmico, além de uma redução de 0,5% na produção diária para cada hora de exposição a temperaturas acima de 26°C. O calor extremo já é responsável pela perda de cerca de 1% da produção leiteira mundial, impactando a qualidade do produto.

Riscos para o Trabalho Rural e Desigualdades Sociais

O impacto mais crítico, contudo, recai sobre o trabalho no campo. O relatório alerta que o aumento das temperaturas torna a atividade cada vez mais perigosa, e em certos momentos, inviável por longos períodos. Estima-se que os dias muito quentes para o trabalho rural possam chegar a 250 no sul da Ásia, na África Subsaariana e em partes da América do Sul e Central.

Além do risco imediato de desidratação e exaustão, o calor prolongado diminui a capacidade física e a produtividade da força de trabalho. Esse estresse térmico restringe o tempo seguro de trabalho ao ar livre, afetando diretamente a renda de famílias dependentes do agro.

O calor extremo também acentua desigualdades sociais no campo. Pequenos produtores e trabalhadores informais têm menor acesso a tecnologia e proteção, o que agrava os riscos. A combinação de calor intenso com alta umidade eleva a probabilidade de doenças e acidentes de trabalho, somado ao estresse hídrico das secas repentinas.

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