Recuperação da C&A no Ibovespa Após Queda Inicial
Após um tombo de dois dígitos no início de janeiro, as ações da C&A (CEAB3) têm demonstrado uma recuperação consistente no Ibovespa. Desde o dia 5 de janeiro, quando os papéis despencaram 15,71%, a varejista acumulou uma alta de 23,04% até o fechamento de ontem, 11, pouco mais de um mês após o episódio.
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Essa recuperação reflete uma reavaliação das expectativas do mercado em relação à empresa.
O choque inicial foi desencadeado pela repercussão de um alinhamento de expectativas feito pela companhia com analistas que cobrem o papel. A empresa sinalizou ao “sellside” um quarto trimestre mais fraco que o esperado, o que gerou preocupações sobre o desempenho futuro.
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Bancos reforçaram essa leitura, prevendo um cenário mais desafiador para o fim de 2025, especialmente em dezembro, com projeções de vendas “decepcionantes” no quarto trimestre devido ao ambiente adverso para o varejo de moda.
Análise e Projeções do Mercado
A consultoria Virtual Gate apontou uma queda de 9% no tráfego de shoppings em dezembro na comparação anual – um mês crucial por causa do Natal. Com base nesses dados, o UBS reduziu em cerca de 10% as estimativas de lucro líquido para 2026 e 2027, projetando R$ 511 milhões em 2026 e R$ 566 milhões em 2027, além de cortar o preço-alvo de R$ 23 para R$ 20, mantendo recomendação de compra.
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Foco na C&A e o Setor de Varejo
O BTG Pactual, controlador da EXAME, também apontou fundamentos pressionados no varejo discricionário e revisões negativas de lucros para 2026. O múltiplo da C&A é considerado atraente, mas o momento operacional permanece fraco. A empresa negocia a cerca de 7 vezes o lucro projetado para 2026, com desconto em relação ao setor.
Apesar disso, as revisões para baixo sobre o quarto trimestre de 2025 da companhia reforçaram a cautela, diante da expectativa de vendas nas mesmas lojas estáveis e alavancagem operacional limitada.
Estratégias da C&A e Opiniões de Especialistas
Para o próximo balanço, o BTG projeta que a receita líquida de vestuário da C&A avance 1% na comparação anual, com vendas nas mesmas lojas (SSS) estáveis e queda de 100 pontos-base na margem Ebitda consolidada. Ricardo Peretti, estrategista da Santander Corretora, acredita que, mesmo que o quarto trimestre deva mostrar desaceleração nas vendas de vestuário, incluindo C&A, o mercado ainda negocia com desconto relevante na Bolsa. “Tem que ter, não precisa ter tanto medo, mas seja um pouco mais seletivo”, afirma.
Visão do Citi e Projeções Ajustadas
O Citi manteve recomendação de compra em janeiro, mas reduziu o preço-alvo de R$ 22 para R$ 18 e classificou a ação como High Risk, citando “grande volatilidade” nos resultados de curto prazo. O banco cortou em 12% a estimativa de lucro líquido para 2026, a R$ 492 milhões, ao incorporar crescimento mais lento nas vendas em mesmas lojas, de 5% ante 7%.
Apesar disso, a instituição avalia que, mesmo em um cenário mais pessimista, o papel continuaria negociado a cerca de 8 vezes o lucro, o que sustenta, na visão da casa, uma relação risco-retorno atrativa.
