Brustolin analisa: Força Terrestre do Irã e pressão política em Washington?

Vitelio Brustolin analisa EUA-Irã: força terrestre iraniana resiste a ataques. Entenda o jogo geopolítico e a pressão política em Washington.

26/04/2026 07:52

3 min

Brustolin analisa: Força Terrestre do Irã e pressão política em Washington?
(Imagem de reprodução da internet).

Análise das Negociações EUA-Irã: Força Terrestre e Pressões Políticas

As recentes conversações entre Estados Unidos e Irã têm apresentado um cenário de avanços e retrocessos, o que espelha um jogo geopolítico bastante complexo. Em entrevista à CNN Prime Time, Vitelio Brustolin, professor da Universidade Federal Fluminense e pesquisador de Harvard, detalhou os múltiplos aspectos envolvidos nessas tratativas diplomáticas.

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A Capacidade Militar Iraniana em Meio aos Ataques

Segundo Brustolin, mesmo após os ataques coordenados por Estados Unidos e Israel terem danificado significativamente a marinha e a força aérea iraniana, o país mantém um poderio considerável em terra. Ele apontou que o Irã conta com uma força terrestre robusta.

Força Terrestre e Projeção de Poder

O especialista informou que há cerca de 610 mil militares ativos e 350 mil reservistas. Essa capacidade militar permite que o Irã continue projetando influência na região, especialmente no Estreito de Ormuz. Isso é feito utilizando recursos como mísseis, drones e minas navais.

Brustolin enfatizou que a situação atual não indica um país militarmente derrotado. Ele afirmou que o que se observa é a negociação de uma nação que preserva seu poder, apesar dos bombardeios e dos alvos sofridos em suas forças navais e aéreas.

O Fator Tempo e a Pressão Política em Washington

Um elemento crucial nas negociações, segundo o professor, é o fator tempo, que favorece o regime iraniano. Donald Trump enfrenta pressões eleitorais nos Estados Unidos com a proximidade das eleições de novembro.

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Divergências no Movimento MAGA

O pesquisador observou que Trump está bastante preocupado com essa conjuntura, e o partido republicano também está atento. Ele destacou que uma parte importante do movimento MAGA tem criticado a postura bélica do ex-presidente, o que contraria suas promessas de campanha.

Brustolin relembrou que Trump havia feito campanha em 2024 alegando que Kamala Harris levaria os Estados Unidos a uma guerra, apontando essa contradição como algo que pode diminuir seu apoio no Congresso.

Impasse nas Discussões Nucleares

O programa nuclear iraniano permanece como um ponto central nas negociações. Brustolin explicou que, após o abandono do acordo de Obama em 2015 por Trump, o Irã intensificou seu enriquecimento de urânio.

Diferenças nas Propostas de Acordo

O alerta do especialista foi claro: “Depois que o Trump saiu do acordo do Obama em 2018, o Irã começou a enriquecer o urânio a 60%. Hoje o Irã tem 440 quilos de urânio enriquecido a 60%.”

As propostas atuais mostram um impasse significativo. Enquanto J.D. Vance, vice de Trump, sugeriu um acordo de 20 anos sem enriquecimento de urânio (superando os 15 anos do acordo de Obama), o Irã propôs apenas cinco anos sem enriquecimento. Essa diferença reflete a complexidade das negociações e a capacidade de barganha iraniana.

Conclusão sobre o Cenário Geopolítico

O cenário diplomático permanece tenso, equilibrando a pressão militar sofrida pelo Irã com sua força terrestre intacta e o contexto político interno nos Estados Unidos. Os negociadores navegam por divergências profundas, especialmente no que tange ao futuro do programa nuclear.

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