Brasil Surpreende em Janeiro com Mercados Vizinhos em Ascensão e Oportunidades no Ibovespa

Brasil brilha em janeiro! S&P/BVL e Ibovespa sobem, mas vizinhos andinos dominam. Descubra o que impulsionou o desempenho surpreendente do Peru e da Colômbia e como isso impacta o mercado brasileiro

03/02/2026 10:45

5 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Mercado Brasileiro Surpreende em Janeiro de 2026, Mas Vizinhos Andinos Brilham

Janeiro de 2026 começou com um movimento inesperado nos mercados emergentes. O índice S&P/BVL General, da B3, disparou 22,51% em dólares, enquanto o MSCI Colcap, da B3, avançou 21,16%. Com uma alta de 18,42% no período, o Índice Bovespa ficou na terceira posição.

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Um levantamento da Elos Ayta, que monitora 21 dos principais índices globais, revelou que o Brasil garantiu o terceiro lugar no pódio mundial, registrando seu melhor resultado mensal em dólares desde o final de 2020, mas não conseguiu acompanhar o fôlego renovado dos vizinhos andinos.

Fatores que Impulsionaram o Desempenho

Esse cenário marcante representa um início de ano estatisticamente raro. O Peru e a Colômbia assumiram o protagonismo total, deixando para trás gigantes como o índice S&P 500 nos Estados Unidos, que registrou apenas uma alta de 0,95%. A questão central é: o que explica esse brilho dos mercados vizinhos?

Análise do Economista Alex Araújo

O economista Alex Araújo explica que o desempenho superior das bolsas do Peru e da Colômbia no primeiro mês do ano está ligado a uma combinação de fatores técnicos, setoriais e de base comparativa. “Não é uma perda estrutural de relevância do mercado brasileiro”, pondera. “São mercados (Peru e Colômbia) significativamente menores e menos líquidos.”

Diferenças Cruciais nos Mercados

Enquanto o Ibovespa reflete um mercado com um valor de mercado próximo a US$ 900 bilhões e volume médio diário acima de US$ 5 bilhões, o mercado peruano gira em torno de US$ 120 bilhões a US$ 150 bilhões de market cap. Já o mercado colombiano fica em cerca de US$ 90 bilhões a US$ 110 bilhões, com liquidez diária muito inferior.

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Impacto nos Fluxos de Capital

“Isso faz com que movimentos relativamente modestos de capital estrangeiro gerem variações percentuais maiores nesses mercados”, detalha Araújo. “No entanto, o Brasil segue sendo o mercado mais profundo, líquido e diversificado da América Latina e o principal destino de fluxos estruturais de investidores globais.”

Motor de Exportação e Política: Fatores Chave

Para entender o desempenho fora da curva, é preciso olhar para o chamado “motor de exportação” desses países, segundo especialistas ouvidos pelo Fiminize — plataforma britânica de análises do mercado e de educação financeira. No caso peruano, a mineração é a espinha dorsal da economia.

Estima-se que a atividade responda por cerca de 60% das receitas em moeda estrangeira. E, com os preços do cobre e do ouro em patamares elevados e o dólar perdendo força globalmente, o fluxo de capital para o Peru foi massivo.

Banco Central do Peru e Reservas Estratégicas

O banco central do Peru já acumulou quase US$ 90 bilhões em reservas, o equivalente a 28% do Produto Interno Bruto (), o nível mais alto da região. Esse montante ajudou a moeda local, denominada sol, a atingir o patamar mais forte em quase seis anos, impulsionando retornos para investidores estrangeiros.

Política e Percepção de Investidores

A política também entrou no radar, com fontes ouvidas pelo americano Barron’s relatando que a América Latina vive uma “onda de direita” que tem atraído investidores avessos a gastos públicos excessivos. Há uma percepção de que líderes liberais estão ganhando mais espaço, exemplo do e da Colômbia.

Mercados Emergentes no Radar do Investidor

Gestor de fundos em Londres, James Athey explica, à Reuters que se o investidor busca hoje “ortodoxia política” e responsabilidade fiscal ele acaba encontrando mais opções em mercados emergentes do que em desenvolvidos, que têm gastado de forma considerada arriscada no longo prazo, na sua opinião.

Projeções e Perspectivas Futuras

Olhando para o futuro, as projeções são otimistas em sua maioria, mas carregam cautela. Estrategistas do JP Morgan acreditam que o índice MSCI EM Latin America pode subir até 30% até o fim do ano, à medida que os investidores reequilibram suas carteiras que hoje estão muito concentradas em ações americanas.

A tendência de , já observada em países como México e Chile, deve finalmente ganhar corpo no Brasil, oferecendo um alívio para as empresas locais e incentivando a migração da renda fixa para a bolsa.

Historicamente, movimentos de liderança em mercados latino-americanos tendem a ser rotacionais e de curta duração, segundo Araújo. O economista acredita que o desempenho relativo do Brasil dependerá de três vetores para os próximos meses, com possível recuperação do Ibovespa no protagonismo regional, como: Trajetória dos juros domésticos e sinalização do Banco Central Fluxo estrangeiro, especialmente de fundos emergentes Evolução do cenário fiscal e político, que pesa mais no Brasil do que nos pares regionais

Há oportunidades para o mercado brasileiro de forma bastante objetiva na análise do economista. “Diferentemente do Peru e da Colômbia, o Brasil oferece escala, liquidez e capacidade de absorver grandes fluxos, o que tende a favorecer movimentos de recuperação mais consistentes quando o fluxo internacional retorna.” “Além disso, o Brasil apresenta valuation descontado em múltiplos históricos, especialmente em bancos, utilities e empresas ligadas à infraestrutura, à energia, à geração robusta de caixa e a dividend yield elevado — algo escasso em mercados globais, havendo potencial de reprecificação relevante se o ciclo de corte nos juros começar.”

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