Brasil registra aumento de licenças por transtornos mentais em 2025. Pesquisa aponta desafios na implementação da NR-1 e falta de preparo das empresas.
Em 2025, o Brasil registrou um aumento significativo no número de licenças por transtornos mentais, atingindo mais de meio milhão de afastamentos. Esse dado, divulgado pelo G1 do Ministério da Previdência Social, representa um novo recorde nacional e demonstra a crescente preocupação com a saúde mental no ambiente de trabalho.
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Uma pesquisa realizada pela Heach Recursos Humanos, entre janeiro e fevereiro de 2026, com 1.730 empresas, revelou que a nova Norma Regulamentadora 1 (NR-1) está gerando desafios para as organizações.
A pesquisa apontou que 68% das empresas não compreendem completamente as mudanças trazidas pela NR-1. Além disso, 62% não possuem indicadores formais para identificar e monitorar riscos psicossociais, um dos pontos centrais da nova norma.
Um alto percentual, 58%, declarou que apenas reagiria a problemas de saúde mental após afastamentos, denúncias ou ações judiciais, indicando uma abordagem reativa.
A pesquisa destacou a liderança como um fator de risco. 67% dos líderes nunca passaram por avaliações comportamentais ou psicológicas estruturadas, e 54% não receberam treinamento para lidar com conflitos e pressão emocional.
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Para 49% dos profissionais de RH, o comportamento da liderança é o principal fator de adoecimento emocional das equipes.
A pesquisa evidenciou um descompasso entre o discurso institucional e a prática. Apesar de 78% das empresas se preocuparem com a saúde mental, apenas 23% possuem políticas formais, orçamento dedicado e indicadores claros.
Em 64% dos casos, o tema é tratado de forma pontual, por meio de ações isoladas ou benefícios desconectados da estratégia organizacional.
O despreparo já se reflete nos indicadores operacionais. 61% das empresas não sabem calcular o custo real do turnover, e 44% perdem talentos por fatores ligados a clima organizacional e liderança, e não por remuneração.
52% admitem manter profissionais com comportamento tóxico por receio de perda de resultados de curto prazo, ampliando riscos trabalhistas, financeiros e de saúde coletiva.
O momento exige mudança de postura, reconhecendo que a questão transcende a boa vontade ou discurso institucional, configurando-se como responsabilidade legal, risco financeiro e impacto humano.
A pesquisa também reforça o fenômeno dos profissionais invisíveis, com 39% dos trabalhadores se sentindo pouco ou nada reconhecidos e 48% assumindo responsabilidades acima do cargo sem contrapartida, elevando significativamente o risco de desligamentos e afastamentos.
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