Brasil registra aumento alarmante de 100% em anafilaxia. Dados da Asbai apontam para 1.143 episódios em 2024. Acesso a medicamentos é urgente!
Nos últimos dez anos, o Brasil registrou um aumento expressivo de mais de 100% nos casos de anafilaxia, conforme dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai). Em 2024, foram registrados 1.143 episódios, um aumento de 107% em comparação com 2015.
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A anafilaxia, uma reação sistêmica potencialmente fatal, pode se manifestar com sintomas como queda de pressão, falta de ar e, em casos graves, colapso cardiovascular. A crescente incidência desse quadro clínico levanta questões sobre os fatores que contribuem para o aumento e a necessidade de garantir o acesso rápido a medicamentos de emergência.
Um dos principais obstáculos para o tratamento eficaz da anafilaxia no Brasil é a indisponibilidade de canetas de adrenalina autoinjetáveis, produtos considerados o padrão-ouro no atendimento de emergências em outros países. Embora existam alternativas como EpiPen, Jext e Anapen, utilizadas internacionalmente, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ainda não aprovou o registro desses dispositivos no Brasil.
O acesso, atualmente, depende de importações pontuais, frequentemente judicializadas, e de custos elevados, em torno de R$ 3.000, o que dificulta o acesso para a maioria dos pacientes.
Em 2024, um grupo de pesquisadores brasileiros liderado pelo médico Renato Rozental anunciou o desenvolvimento de um protótipo da primeira caneta nacional de adrenalina autoinjetável. Apesar da notícia positiva, a falta de escala industrial impede o registro na Anvisa.
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A Asbai enfatiza a urgência da regulamentação de algum dispositivo para permitir o uso no Sistema Único de Saúde (SUS), visando a presença do autoinjetor em locais públicos como escolas, restaurantes e aviões, a fim de reduzir o risco de mortes por anafilaxia.
Para alergistas e seus pacientes, cada minuto sem a caneta representa um risco evitável de complicações. A dose administrada pela caneta é segura e deve ser usada assim que os primeiros sinais da reação aparecem. Adultos geralmente precisam portar duas canetas, para repetir a dose após alguns minutos, se necessário.
A aplicação é intramuscular e deve ser feita na região da coxa, por causa do tamanho da agulha. A decisão judicial em São Paulo, que determinou que a rede pública de saúde de Ribeirão Preto (SP) e de 23 municípios nos arredores da cidade passem a distribuir a epinefrina autoinjetável a pacientes que já contam com prescrição médica, representa um avanço significativo na garantia do acesso a esse medicamento essencial.
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