Brasil na COP30A: Contradição exposta em Belém. Governo propõe “mapa do caminho” para transição energética, mas país lidera expansão de combustíveis fósseis. Petrobras é destaque com 29% do aumento global
A 30ª Conferência das Partes sobre Mudança Climática (COP30), realizada em Belém (PA), expõe uma situação complexa para o Brasil. Enquanto o governo brasileiro defende a criação de um “mapa do caminho” para a transição energética, o país se destaca como um dos maiores impulsionadores da expansão global de combustíveis fósseis.
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Um levantamento da organização LINGO e.V. revelou que a Petrobras lidera essa expansão, responsável por 29% do aumento global, com foco em águas profundas, como as da Margem Equatorial e da Bacia de Pelotas.
O presidente do governo (PT) propõe um roteiro para financiar a transição energética, buscando um plano internacional que coordene a substituição gradual de combustíveis fósseis por energias renováveis. No entanto, a negociação central reside em quem arcará com os custos dessa transição, especialmente nos países em desenvolvimento.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reforçou a importância de uma transição planejada e justa, buscando unir o combate ao desmatamento com a redução da dependência de combustíveis fósseis.
O debate sobre a transição energética ganhou força em Belém, sob a liderança do Brasil. O governo brasileiro tenta transformar essa proposta em uma estratégia diplomática, pressionando países desenvolvidos a financiarem a transição nos países do Sul Global.
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No entanto, representantes de grandes produtores evitam mencionar explicitamente o “petróleo” nas negociações, para não abrir precedentes sobre cortes de produção ou taxação do setor. Até o momento, o Brasil não apresentou um plano oficial com data para encerrar a exploração de petróleo, focando em discutir como isso pode ser feito.
Um relatório da LINGO também revelou que bancos comerciais emprestaram US$ 138 bilhões para a expansão fóssil na América Latina nos últimos três anos, com o Santander liderando o financiamento. Investidores institucionais aplicaram US$ 425 bilhões em empresas que expandem petróleo e gás na região, com a maior parte desses recursos vindo de fora da América Latina – principalmente dos Estados Unidos, Europa e Canadá.
Apesar do discurso de transição, o Brasil planeja aumentar sua produção de petróleo para 5,4 milhões de barris por dia até 2029, tornando-se o 4º maior produtor mundial.
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