Brasil Lidera em Assassinatos de Pessoas Trans e Travestis em 2025

Brasil mantém 1º lugar em assassinatos de transexuais e travestis em 2025, com 80 mortes, aponta dossiê da Antra. Dados revelam alta de tentativas de homicídio e concentração de violência no Nordeste

26/01/2026 14:49

3 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Brasil Mantém 1º Lugar em Assassinatos de Pessoas Trans e Travestis em 2025

Em 2025, o Brasil continuou liderando o ranking mundial de assassinatos de pessoas transexuais e travestis, com um total de 80 mortes registradas, conforme dados divulgados pela 9ª edição do “Dossiê: Assassinatos e Violências Contra Travestis e Transexuais Brasileiras”, elaborado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e lançado nesta segunda-feira (26 de janeiro de 2026).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A redução de 34% em relação aos 122 crimes de 2024, apesar da diminuição, não significa uma regressão da violência, segundo a associação. A posição de liderança do país persiste há quase 18 anos, quando comparada a outros países.

Metodologia e Dados

O dossiê foi construído por meio de monitoramento diário de notícias, relatos diretos de organizações trans e registros públicos. A Antra ressalta que a falta de atuação da sociedade civil contribui para que essas mortes “simplesmente não existam para o Estado”, evidenciando a necessidade de um olhar atento e ações efetivas.

Distribuição Geográfica

Em 2025, Ceará e Minas Gerais foram os estados com o maior número de assassinatos, com 8 casos cada. A violência permanece concentrada na Região Nordeste, que registrou 38 mortes, seguida pelo Sudeste (17), Centro-Oeste (12), Norte (7) e Sul (6). O estado de São Paulo se destaca como o mais letal no período de 2017 a 2025, com 155 mortes.

A maioria das vítimas são travestis e mulheres trans, predominantemente jovens na faixa etária de 18 a 35 anos. Pessoas negras e pardas são as mais atingidas pelo crime.

Leia também:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Aumento em Tentativas de Homicídio

Embora o número de assassinatos tenha diminuído, houve um aumento nas tentativas de homicídio, indicando que a queda de 34% em relação a 2024 não se traduz necessariamente em regressão da violência.

Fatores Contribuintes

A Antra aponta que esse cenário é resultado de fatores como subnotificação, descrédito nas instituições de segurança e justiça, retração da cobertura da mídia e ausência de políticas públicas específicas para o enfrentamento da transfobia — crime de preconceito, discriminação e hostilidade direcionado a pessoas transgênero.

Bruna Benevides, presidente da Antra, enfatiza que os dados refletem um sistema que naturaliza a opressão contra pessoas trans, destacando a exposição da população à violência extrema, o racismo, o abandono institucional e o sofrimento psicológico contínuo.

Recomendações ao Poder Público

O dossiê apresenta recomendações ao poder público, ao sistema de justiça, à segurança pública e às instituições de direitos humanos, com propostas para romper a lógica de impunidade e escassez que marca a realidade das pessoas trans no Brasil.

Bruna Benevides ressalta que o relatório da Antra “constrange o Estado”, informa a sociedade e impede o silêncio, defendendo a necessidade de políticas de proteção às mulheres trans acessíveis e disponíveis.

Mortes Violentas em 2025

Os dados divulgados pela Antra reforçam o cenário evidenciado em 18 de janeiro pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) e pelo Observatório de Mortes Violentas de LGBT+ no Brasil, atualizado anualmente. Em 2025, foram documentadas 257 mortes violentas: 204 homicídios, 20 suicídios, 17 latrocínios (roubo seguido de morte) e 16 casos de outras causas, como atropelamentos e afogamentos.

Em relação a 2024, quando foram registrados 291 casos, houve redução de 11,7%. O número representa uma morte a cada 34 horas no Brasil. O Brasil permaneceu em 2025 como o país com o maior número de homicídios e suicídios de pessoas LGBT+ no mundo, seguido por México (40) e Estados Unidos (10).

Autor(a):

Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.