Brasil assume papel chave no Tratado do Alto-Mar! Nova governança oceânica redefine o uso dos oceanos e impulsiona a bioeconomia. Saiba mais!
Enquanto a inflação e as questões políticas continuam a dominar as notícias, um acordo internacional de grande impacto econômico entrou em vigor em 17 de janeiro. Trata-se do Tratado do Alto-Mar, negociado sob a égide da Organização das Nações Unidas (ONU) e que redefine o uso e a proteção de cerca de dois terços dos oceanos do planeta.
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Este acordo representa uma mudança significativa na governança oceânica global, com implicações diretas para a economia brasileira e a forma como os recursos marinhos são explorados.
O tratado não se limita à conservação ambiental. Ele cria regras que afetam diretamente setores como a pesca, a biotecnologia e a economia azul. O Brasil, como um país megadiverso, tem um papel crucial na definição das regras operacionais que orientarão as atividades econômicas em alto-mar nas próximas décadas.
A participação precoce é estratégica, garantindo que o país tenha voz na repartição de benefícios, na criação de áreas protegidas e na transferência de tecnologia marinha.
O Tratado do Alto-Mar inaugura mecanismos multilaterais de repartição justa e equitativa de benefícios derivados de atividades em alto-mar, abrangendo organismos de alto valor agregado. Para um país como o Brasil, que investe em bioeconomia, participar desde o desenho das regras é fundamental para transformar o potencial biológico em inovação industrial e retorno econômico.
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Compostos extraídos de organismos marinhos já alimentam cadeias globais da indústria farmacêutica, com aplicações em tratamentos anti-inflamatórios, antivirais e oncológicos. Exemplos incluem fármacos anticâncer derivados de esponjas marinhas e substâncias de corais e tunicados que inspiraram moléculas usadas em quimioterapia.
O novo regime jurídico condiciona o acesso a recursos genéticos de áreas além da jurisdição nacional a pesquisadores e empresas. Em troca, o tratado promete maior previsibilidade jurídica e um fluxo estável de recursos para capacitação, infraestrutura científica e cooperação tecnológica em países em desenvolvimento.
Além disso, o acordo reforça padrões de ordenamento da pesca em águas internacionais e pressiona organizações regionais a incorporar critérios de conservação de estoques altamente migratórios, contribuindo para a recuperação de populações de peixes que abastecem tanto a pesca industrial quanto a pesca costeira.
Isso tem implicações diretas para a pesca oceânica e para a estabilidade produtiva de um setor que concentra empregos em regiões costeiras brasileiras.
Um dos eixos mais sensíveis do tratado são as avaliações de impacto ambiental exigidas para novas atividades em alto-mar, incluindo projetos de energia offshore. As partes terão de seguir estudos, submeter os resultados ao órgão científico e técnico do Tratado do Alto-Mar e divulgar informações em um portal público.
Esses requisitos elevam custos iniciais de adaptação, mas para governos e empresas que pretendem operar em alto-mar, a previsibilidade regulatória passa a funcionar como um verdadeiro ativo. O Brasil, com sua estratégia de fortalecer a bioeconomia, busca integrar crescimento econômico, inovação científica e proteção ambiental no uso de recursos oceânicos.
O Tratado do Alto-Mar pode ser a peça que faltava para que o oceano deixe de ser visto apenas como fronteira distante e passe a ser tratado como infraestrutura crítica da economia brasileira.
Embora o Tratado do Alto-Mar não resolva por si só a degradação marinha, ele estabelece um novo ponto de partida ao tratar o alto-mar como espaço regido por regras comuns. Para o Brasil, o desafio central é converter governança internacional em desenvolvimento sustentável, articulando políticas ambientais, industriais, científicas e de inovação regional.
Países que conseguirem combinar capacidade científica, visão estratégica e coordenação institucional terão vantagens para ocupar nichos de alto valor na economia global.
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