Debate Sobre a Escala Seis por Um Desvia para Argumentos Perigosos
O debate sobre a implementação da Escala Seis por Um, como muitos temiam, acabou se desviando para um terreno mais problemático. A tendência de reduzir questões complexas e de grande impacto a meras bandeiras eleitorais sempre apresenta riscos. A principal preocupação reside na tentação de esconder a verdadeira natureza do problema por trás de uma simplificação excessiva.
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Não se trata, fundamentalmente, de uma redução nas horas de trabalho sem uma contrapartida na remuneração. A análise crítica se concentra em compreender as razões subjacentes à baixa remuneração no Brasil, quando comparada a países com economias similares.
A discussão central gira em torno do aumento da produtividade, e não em promessas vazias de políticos, que, de fato, podem levar a um aumento salarial e a um crescimento econômico sustentável, gerando mais renda e prosperidade para a população.
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O outro lado perigoso reside na crença de que compensações podem mitigar os efeitos negativos de uma baixa produtividade e de uma redução nas horas de trabalho, sem uma consequente diminuição do salário. Essa linha de raciocínio sugere um risco de “pisar na de pagamento”, referindo-se a um esquema, implementado há cerca de quinze anos, cujo impacto real na manutenção de empregos é incerto. A realidade é que esse tipo de medida pode gerar um déficit significativo nas contas públicas, especialmente para aqueles que não se beneficiam da desoneração de impostos e que, portanto, enfrentam encargos fiscais elevados.
Essa aparente troca – custos mais altos do trabalho em um lado, menores custos na folha de pagamento no outro – apenas mascara a realidade do Brasil. Trata-se de encarar a dura verdade de uma economia de renda média, que historicamente não consegue crescer de forma consistente para combater de maneira eficaz a desigualdade e a injustiça social, problemas persistentes e complexos.
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