Raios: aumento de mortes no Brasil preocupa. Adolescente e jovem morrem em Tocantins e Rio de Janeiro. Cientistas alertam para risco crescente devido às mudanças climáticas
Um adolescente de 16 anos faleceu em uma chácara em Aragominas, Tocantins, em 2023, após ser atingido por um raio enquanto trabalhava descalço na produção de farinha de mandioca. O incidente ocorreu no mesmo dia em que outro jovem de 19 anos morreu na praia de Arraial do Cabo, Rio de Janeiro, ao recolher cadeiras e materiais de trabalho.
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Esses eventos, juntamente com outros dois episódios fatais em Mato Grosso do Sul, refletem uma preocupação crescente com a frequência de ocorrências de raios no Brasil, que possui a maior incidência do mundo.
A comunidade científica tem se manifestado sobre a possibilidade de aumento da média anual de descargas atmosféricas no país, como um desdobramento das mudanças climáticas em curso. Dados do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), revelam que entre 2018 e 2022, o Brasil registrou 590 milhões de descargas atmosféricas anualmente.
Amazonas, Pará, Mato Grosso, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul foram os estados com o maior número de ocorrências.
Para auxiliar na prevenção, foi produzida uma cartilha, intitulada “Proteção contra raios: redução de riscos para aumento da segurança”, com o apoio do Instituto Tecnológico Vale (ITV). O documento, finalizado recentemente, apresenta um ranking atualizado das ocorrências, com informações sobre perfis de vítimas, circunstâncias comuns, atividades perigosas, recomendações de prevenção e leis brasileiras relacionadas ao tema.
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A cartilha será distribuída em comunidades e escolas.
O ranking por área, que considera a concentração de ocorrências por quilômetro quadrado, aponta Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul como os estados com maior probabilidade de fatalidades. A pesquisa, que envolveu dados do Elat e a revisão do pesquisador Osmar Pinto Júnior do Inpe, revela que, em termos totais, os raios provocam cerca de 110 mortes e mais de 200 ferimentos anualmente.
A análise do perfil das vítimas indica que homens representam 82% dos casos, com mais de metade (51%) sendo crianças ou jovens, em faixas etárias de 20 a 29 anos (24%) e 10 a 19 anos (20%).
A cartilha detalha que 26% dos episódios ocorreram durante atividades em áreas rurais, 21% dentro de casas, e 9% em locais como rios e mares. O verão (43%) e a primavera (33%) são as estações com maior incidência. Trabalhadores em setores como agricultura, pecuária, mineração, ferrovias, portos, eletricidade e construção civil são considerados particularmente vulneráveis.
Além disso, atividades como pastoreio de animais, operações em linhas de transmissão e uso de equipamentos como guindastes, escavadeiras e andaimes também representam riscos.
A cartilha enfatiza que a recreação e o esporte em áreas abertas ou costeiras são atividades perigosas durante o mau tempo, assim como permanecer em rios e mares. Dentro de imóveis, é recomendado manter-se afastado de redes elétricas, telefônicas e hidráulicas, além de portas e janelas metálicas.
Durante tempestades, a orientação é evitar exposição ao ar livre e permanecer longe de equipamentos ou estruturas que possam atrair descargas atmosféricas.
A comunidade científica alerta que o aumento da temperatura global e a maior umidade do ar, como ocorre na Amazônia, favorecem a formação de tempestades com descargas atmosféricas. Projeções do Inpe indicam que o Brasil poderá receber até 100 milhões de descargas elétricas por ano entre 2081 e 2100.
A pesquisadora Raquel Albrecht, da USP, explica que o volume de descargas elétricas tende a aumentar com a maior ocorrência de tempestades devido às mudanças climáticas. A redução da emissão de combustíveis fósseis e o combate ao desmatamento são considerados essenciais para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e o aumento da incidência de raios.
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