Comércio Agrícola Brasil-Venezuela: Um Panorama em Evolução
O comércio agrícola entre Brasil e Venezuela apresenta um cenário complexo, marcado por flutuações e dependências. Entre 2016 e 2025, o Brasil registrou um faturamento acumulado de US$ 6,95 bilhões nas exportações para a Venezuela, impulsionado principalmente pela demanda por alimentos essenciais e insumos.
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Esse período foi caracterizado por uma forte retomada comercial a partir de 2020, refletindo a necessidade do país vizinho de importar produtos agrícolas para atender à sua demanda interna.
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Principais Produtos e Segmentos
A pauta exportadora brasileira para a Venezuela concentrou-se em itens de segurança alimentar, como cereais, açúcar e proteínas animais. O setor de cereais, farinhas e preparações se destacou como o principal motor das vendas externas, representando cerca de um terço do valor total exportado para o mercado venezuelano.
O complexo sucroalcooleiro também apresentou um desempenho notável, com um faturamento acumulado de US$ 1,49 bilhão e 3,15 milhões de toneladas exportadas. O setor de carnes e produtos da soja também registrou números expressivos, embora com dinâmicas distintas, com o complexo soja alcançando US$ 905,8 milhões em vendas.
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Impactos Diplomáticos e Econômicos
A intervenção dos EUA na Venezuela em 2025 gerou condenações de governos latino-americanos, incluindo o Brasil, e pode levar a restrições comerciais e realinhamento de parcerias regionais. A tensão diplomática impactou diretamente as relações entre Brasília e Caracas, com divergências políticas e diplomáticas centradas na contestação brasileira às eleições venezuelanas.
Apesar das dificuldades, o Brasil continuou a ser um fornecedor crucial para o abastecimento da Venezuela, especialmente em setores como cereais e proteínas animais.
Cenário Atual e Desafios
Em 2024, a Venezuela foi o 29º maior comprador do agro brasileiro, com US$ 919 milhões em compras, ocupando o quarto lugar. No entanto, o país ainda enfrenta desafios estruturais em seu agronegócio, como limitações de tecnologia, financiamento e sanidade animal, que afetam a produção de milho, arroz e proteínas animais.
Apesar disso, o agro venezuelano continua a importar produtos básicos e insumos agrícolas, dependendo de fornecedores externos para sustentar sua indústria alimentícia nacional. A produção de cacau fino e aromático, por sua vez, representa um nicho de exportação com valor agregado, mas com volumes modestos em comparação aos grandes produtores globais.
