Brasil e Mercosul em disputa acirrada pela cota de carne bovina à UE!

A divisão da cota de carne bovina no acordo com a União Europeia tem gerado uma forte mobilização no setor exportador brasileiro. A preocupação central é a forma como o volume total de 99 mil toneladas será distribuído entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, membros do Mercosul.
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A Associação Brasileira de Indústria de Carnes (Abiec) defende uma abordagem que considere a capacidade real de cada país em fornecer carne, em vez de uma divisão igualitária.
Critérios Técnicos na Distribuição
A Abiec argumenta que a divisão da cota deve levar em conta fatores como a escala de produção, a regularidade das ofertas, a conformidade sanitária e a adequação do produto para o mercado europeu. A entidade enfatiza que o objetivo é garantir que a cota negociada seja totalmente utilizada, maximizando os benefícios do acordo para o setor produtivo brasileiro.
A lógica é que uma divisão meramente aritmética poderia levar ao desperdício de capacidade.
Posições Divergentes no Mercosul
O Paraguai, atualmente na presidência temporária do Mercosul, propõe uma divisão igualitária, com aproximadamente 24,75 mil toneladas para cada país. No entanto, o Brasil resiste a essa proposta. A expectativa é que uma regra mais clara de distribuição seja definida apenas a partir do próximo ano, mantendo a disputa aberta dentro do bloco.
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Contexto Histórico e Tendências
Dados históricos, desde 2004, mostram que o Brasil detém a maior fatia das exportações de carne bovina para a União Europeia, com 42,5% do volume total, seguido pela Argentina (29,5%), Uruguai (21%) e Paraguai (7%). Essa distribuição reflete o peso relativo das exportações de cada país e reforça o argumento do setor brasileiro de que a distribuição deve ser baseada na capacidade efetiva de fornecimento, e não apenas em critérios de igualdade entre os membros do Mercosul.
Atualmente, o Brasil já exporta carne bovina para a União Europeia dentro de um sistema de cotas mais restrito, com um volume de 8,9 mil toneladas e tarifa de 20%. Para além desse limite, as tarifas podem variar de 40% a 90%, dependendo da situação.
O novo acordo visa ampliar o acesso ao mercado europeu, mas mantém a lógica de limitação por volume, o que torna crucial a forma como a cota será distribuída dentro do Mercosul.
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