A discussão sobre o papel do Brasil na transição climática exige reconhecer que nossos recursos marinhos e costeiros representam uma base fundamental para um novo modelo de desenvolvimento. O uso sustentável desses ativos, que englobam a biodiversidade, logística, pesca, energia, turismo e inovação, deve ser central na agenda climática brasileira, atuando não apenas como complemento, mas como elemento estruturante para uma economia que promova crescimento, inclusão e preservação.
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A oportunidade da COP30, em Belém, para incluir o oceano no debate é significativa. A realização da maior conferência climática do mundo na Amazônia demonstra o protagonismo da região, que concentra os desafios e soluções da crise climática.
Para que este gesto seja completo, é crucial ampliar o escopo do debate, incorporando o oceano e tudo que ele representa: estabilidade climática, segurança alimentar, geração de energia limpa, comércio exterior, turismo, proteção ambiental, inovação e justiça social.
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A Economia Azul emerge como uma solução precisa para esse potencial. Esse conceito propõe a articulação entre crescimento econômico e conservação marinha, estruturando cadeias produtivas sustentáveis e de alto valor agregado. Dada a posição do Brasil, com uma das maiores zonas costeiras do planeta, uma população significativa em áreas litorâneas e o mar como plataforma logística e econômica crucial, essa abordagem se alinha naturalmente com as capacidades do país.
A transição já está em curso. O governo federal iniciou a estruturação do Programa Amazônia Azul, com foco em atividades produtivas sustentáveis e na inclusão de comunidades costeiras. O BNDES tem apoiado projetos estratégicos, como o Planejamento Espacial Marinho, essencial para o ordenamento do uso múltiplo do território oceânico.
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Estados como Santa Catarina, Espírito Santo e Rio de Janeiro estão desenvolvendo agendas próprias voltadas para a economia do mar, com ênfase no mapeamento do setor náutico, iniciativas de inovação azul e programas de governança costeira.
Apesar desses esforços, ainda há uma dispersão. O Brasil carece de uma política nacional clara, integrada e ambiciosa para a Economia Azul, com metas definidas, instrumentos de financiamento, articulação federativa e reconhecimento explícito nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs).
O país que sediará a COP30 precisa demonstrar prontidão para liderar com responsabilidade e visão estratégica.
A Economia Azul representa um futuro que integra proteção ambiental, geração de empregos resilientes, negócios alinhados à transição para uma economia de baixo carbono, adaptação às mudanças climáticas nas cidades costeiras e investimento em inovação e biotecnologia marinha.
Além disso, oferece uma oportunidade de reposicionar o país no cenário internacional, valorizando seus ativos naturais e produtivos por meio de uma visão de desenvolvimento que combina inteligência econômica, responsabilidade social e compromisso ambiental.
Na COP30, o Brasil terá uma vitrine global para apresentar ao mundo seu modelo de transição ecológica justa. Para ocupar esse espaço com autoridade, o mar deve estar no centro do discurso e das decisões. O planeta já reconhece a importância da floresta para o futuro, e agora é crucial lembrar que o oceano também é fundamental.
