Brasil cai no ranking mundial de competitividade em 2026

Brasil perde posições no rankingmundial de competitividade, atingindo 65º lugar em 2026. O resultado é atribuído à baixa produtividade e à falta de investimento em educação.
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Um levantamento do FGV Ibre aponta queda de 0,5% na produtividade por horas trabalhadas no primeiro trimestre de 2026, um fator que se soma à preocupação com a tendência de baixa produtividade que persiste há décadas. Adicionalmente, indicadores relacionados a horas trabalhadas e população ocupada registraram avanços modestos de 0,5% e 0,4%, respectivamente.
Contexto do Mercado e Produtividade
A baixa produtividade observada no Brasil está diretamente ligada à escassez de mão de obra qualificada, conforme aponta o economista Gilvan Bueno. Segundo ele, apesar do crescente interesse em Inteligência Artificial, a falta de investimento em educação e qualificação profissional dificulta o desenvolvimento desse setor.
Bueno ressalta que o Brasil investe apenas 5% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em educação, uma porcentagem significativamente inferior à de países líderes como a Suíça, que aloca mais de 30% do seu PIB nesse setor. Essa disparidade impõe desafios para empresas brasileiras, especialmente na indústria, que tem sofrido declínio nos últimos 25 anos devido à falta de mão de obra qualificada.
Sustentação do PIB e Dependência de Commodities
O economista Gilvan Bueno destaca que os ganhos de produtividade são os principais responsáveis por sustentar o índice de Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, o que explica também o crescimento instável da economia. Segundo ele, a expansão econômica do país depende, em grande parte, da exportação de commodities e de estímulos pontuais, como programas de transferência de renda, liberação do FGTS e incentivos fiscais.
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A estrutura da economia brasileira, com uma predominância de 20% a 25% da agropecuária e apenas 5% da indústria, também é apontada como um fator contribuinte para o cenário atual. Além disso, a concentração de empregos em atividades de menor remuneração agrava a situação.
Custo de Capital e a Taxa Selic
Carla Beni, do Corecon – SP e professora da FGV, aponta que o alto custo de capital, impulsionado principalmente pela taxa Selic, é um dos principais entraves para a competitividade do Brasil em relação a outros países. Segundo ela, a taxa de juros dificulta investimentos e impacta negativamente as empresas, que tendem a investir menos.
Beni enfatiza que a taxa Selic elevada, com uma taxa real superior a 9% desde 2022, inviabiliza investimentos tanto para empresas quanto para famílias, contribuindo para o alto endividamento e inadimplência que afetam a maior parte da população brasileira, com 81,6% das famílias carregando alguma dívida.
Desafios e Perspectivas
Apesar do corte na taxa Selic na última semana, os desafios para aumentar a produtividade e a competitividade do Brasil permanecem significativos. A necessidade de investir em educação, qualificação profissional e diversificar a economia, reduzindo a dependência de commodities, são pontos cruciais para o futuro do país.
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