Os dados do Censo Escolar de 2025 trazem um quadro misto para a educação infantil no Brasil. Por um lado, houve um avanço notável no atendimento à faixa etária de 0 a 3 anos, atingindo um marco histórico: 41,8% das crianças nessa idade agora frequentam creches.
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Esse número representa o maior já registrado e indica uma trajetória promissora para o Brasil alcançar a meta de 50% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE).
Investimentos e Novas Vagas
Especialistas atribuem esse crescimento a investimentos do governo federal, através do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). O programa prevê um aporte de R$ 7,37 bilhões para a construção de 1.670 novas unidades de creches. Em 2025, o apoio governamental possibilitou a criação de 48.500 novas vagas em escolas infantis e pré-escolas.
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Retração na Pré-Escola: Uma Preocupação Crescente
Apesar do avanço nas creches, o cenário é complexo. A taxa de atendimento na pré-escola, voltada para crianças de 4 e 5 anos, avançou de 92,9% em 2024 para 93,4% em 2025. No entanto, o número absoluto de matrículas diminuiu, passando de 4.170.667 em 2023 para 4.131.780 em 2024.
Essa queda levanta preocupações sobre a qualidade e a universalização da educação infantil.
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Análise de Especialistas e Desafios
Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, destaca que o foco deve ir além da oferta de vagas. Ela enfatiza a importância de garantir que o acesso seja acompanhado de qualidade, com infraestrutura adequada, professores qualificados e ambientes seguros.
A educação infantil é crucial para o desenvolvimento cognitivo e socioemocional das crianças, e a busca por experiências educativas que promovam o desenvolvimento integral é fundamental para reduzir desigualdades desde o início da trajetória escolar.
Fatores que Contribuem para a Retração
Bernardo Baião, coordenador de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, aponta que a queda nas matrículas na pré-escola é um problema grave, superando até mesmo a retração observada durante a pandemia de 2021. Ele identifica três hipóteses principais para explicar essa situação: dificuldades na busca ativa de crianças de famílias vulneráveis, uma oferta desigual de vagas entre os municípios e desafios de financiamento que geram competição entre a oferta de creches e a pré-escola.
Baião ressalta a necessidade de um trabalho cooperativo entre os governos federal, estadual e municipal, independentemente de suas orientações políticas, para garantir a universalização da educação infantil, priorizando as crianças mais vulneráveis.
