Endividamento Brasileiro Atinge Nível Crítico em Fevereiro de 2026
Em fevereiro de 2026, a dívida total dos inadimplentes no Brasil alcançou R$ 539 bilhões, segundo dados do ‘Mapa da Inadimplência’ da Serasa. Esse valor superava o valor de mercado do Itaú (R$ 466,1 bilhões) e, surpreendentemente, era maior que o Produto Interno Bruto (PIB) de países como Costa Rica, Luxemburgo, Croácia, Panamá, Lituânia, Uruguai, Paraguai, Islândia, Líbano, Jamaica e Bahamas. A quantidade de dívidas era de 332 milhões, um aumento de 43,6% em relação a fevereiro de 2016, quando o número de dívidas era de 231 milhões, somando R$ 348 bilhões.
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Fatores que Contribuem para o Aumento da Inadimplência
O aumento da inadimplência é impulsionado por diversos fatores. A parcela da renda comprometida com contas básicas e dívidas atingiu, em média, 70,5% para o brasileiro, chegando a 90% para quem ganha até um salário mínimo. Isso significa que, para essa faixa de renda, as dívidas ficam em segundo plano, relegadas à alimentação.
Impacto no Orçamento Familiar
A especialista em educação financeira da Serasa, Aline Vieira, destaca que o alto custo de vida no Brasil está pressionando o orçamento familiar. Pesquisas recentes revelam que 70% dos brasileiros percebem um aumento no custo de vida nos últimos 12 meses, com gastos significativos em supermercado (31%), contas recorrentes (23%) e moradia (13%).
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Papel do Setor Financeiro
O setor financeiro, incluindo bancos, cartões e financeiras, tem uma participação significativa na inadimplência, subindo de 38% no pré-pandemia para aproximadamente 45% no período recente. Isso se reflete na desaceleração do ritmo de concessão de juros mais baratos, levando a população a se endividar em condições mais caras.
Perfil dos Inadimplentes em 2026
A base da inadimplência ainda é formada por pessoas com baixa renda. Cerca de 77% da população brasileira ganha até dois salários mínimos, e a maior parte desses indivíduos está inadimplente. Em fevereiro de 2026, 30% dos inadimplentes recebiam até dois salários mínimos, enquanto apenas 2% recebiam mais de 10 salários mínimos.
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Além disso, a faixa etária dos inadimplentes mudou, com um aumento na participação dos mais velhos, que representam 19% do total.
Riscos e Desafios para a Terceira Idade
A população idosa, mais inserida no ambiente digital, mas também mais exposta a riscos como fraudes, enfrenta desafios adicionais. Pesquisas recentes revelam que quatro em cada 10 idosos relataram ter sofrido golpes com prejuízo financeiro, muitas vezes associados ao avanço de tecnologias como inteligência artificial.
Perspectivas e Previsões
Apesar da Selic em trajetória de queda, o cenário de inadimplência no Brasil segue pressionado e sem sinais de melhora no curto prazo. A Serasa projeta a Selic em torno de 13% ao fim de 2026, considerando o contexto político e a incerteza econômica.
A instituição adota uma visão mais cautelosa que a média do mercado, reconhecendo que a inadimplência não é exclusivamente determinada pela taxa de juros, mas também pelo nível da atividade econômica.
