Brasil: 11 Anos de Violência Contra Mulheres Revelam Desafios Críticos e Persistentes

Violência contra mulheres no Brasil: estudo de 11 anos aponta desafios persistentes. Redução em homicídios, mas feminicídio mantém níveis alarmantes. Saiba

19/06/2026 09:10

3 min

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Violência Contra Mulheres no Brasil: Análise de 11 Anos Revela Desafios Persistentes

Um estudo recente, divulgado em 26 de maio de 2026 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), apresenta um panorama da violência contra mulheres no Brasil entre 2014 e 2024. Os dados revelam uma redução no número total de homicídios de mulheres, atingindo 46.336 casos nesse período, mas também evidenciam a persistência de altos índices de violência, especialmente em algumas regiões do país.

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A pesquisa destaca que a diminuição nos assassinatos de mulheres ocorreu principalmente devido à redução nos crimes cometidos fora do ambiente doméstico. A taxa de homicídios fora do lar caiu de 3,47 para 2,17 por 100 mil mulheres entre 2014 e 2024.

No entanto, o número de feminicídios, ou seja, assassinatos motivados por gênero, manteve-se elevado, representando 40,3% do total de homicídios de mulheres no período analisado. Em 2024, 3.642 mulheres foram vítimas desse tipo de crime no país.

Regiões com Maior Concentração de Violência

As regiões Norte e Nordeste concentraram a maior parte dos registros de violência letal contra mulheres. Sergipe e Goiás apresentaram as maiores reduções na taxa de homicídios por 100 mil mulheres, com quedas de 67,2% e 62,5%, respectivamente. Roraima e Amazonas registraram as maiores taxas de homicídio entre todas as unidades da federação, com 21,2% e 13,6%, respectivamente.

Feminicídio: Uma Realidade Estável

O estudo também revela que o índice de mulheres assassinadas em ambiente doméstico permaneceu relativamente estável, variando entre 1,25 e 1,18 por grupo de 100 mil. Essa estabilidade indica que não houve uma redução significativa na quantidade de feminicídios no Brasil, apesar da lei específica para combater esse crime ter sido implementada em 2015.

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Violência Não Letal: Um Problema Generalizado

Além dos homicídios, 293.842 mulheres foram vítimas de violência não letal no período. A maior parte desses casos ocorreu no ambiente doméstico, representando 64% do total. A violência não letal, caracterizada por agressões que não resultam em morte, apresenta alta incidência de reincidência, com 66,2% das mulheres atendidas pela rede de saúde relatando ter sofrido múltiplos episódios de violência no mesmo ano.

Diferenças por Faixa Etária e Raça

A violência contra mulheres varia de acordo com a faixa etária. Entre 0 e 9 anos, a forma predominante de violência é a negligência, enquanto entre 70 anos ou mais, a negligência também é a principal forma de violência. Para meninas de 10 a 14 anos, a violência sexual é a forma mais comum de violência reportada.

A partir dos 15 anos, a violência física é a mais frequente, associada a relações íntimas e agressões múltiplas. É importante ressaltar que as mulheres negras são as maiores vítimas de violência letal, com uma taxa 66,7% superior à das mulheres não negras.

Taxas de Homicídio por Estado

O levantamento detalha as taxas de homicídio de mulheres por estado, com Ceará, Pernambuco e Espírito Santo apresentando as maiores taxas em 2024. Em contrapartida, estados como São Paulo, Sergipe e o Distrito Federal registraram as menores taxas.

A análise das taxas de homicídio de mulheres negras também revela disparidades significativas, com estados como Ceará, Pernambuco e Alagoas apresentando as maiores taxas entre os estados brasileiros.

Este estudo, publicado originalmente pela Folha de S.Paulo em 26 de maio de 2026, oferece um retrato complexo da violência contra mulheres no Brasil, destacando a necessidade de políticas públicas mais eficazes e da conscientização da sociedade para combater essa grave questão.

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