Após um ano de 2025 marcado por recordes e um clima de euforia, o Bitcoin iniciou 2026 com uma forte correção de preço. Entre 10 de outubro e 5 de fevereiro, a criptomoeda experimentou uma queda de aproximadamente 48%, descendo de mais de US$ 121 mil para abaixo de US$ 70 mil.
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A intensidade da queda se concentrou, principalmente, nos primeiros dias de fevereiro, com uma redução de 25% nesse período.
Fatores Contribuindo para a Queda
Essa movimentação colocou o ativo em seu nível mais baixo em 15 meses. Apesar do discurso favorável do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao setor, a pressão sobre o Bitcoin persistiu. Vinicius Bazan, CEO da Underblock, apontou que a explicação imediata não reside na política, mas sim na dinâmica interna do mercado.
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“Nos últimos meses, entendo que a desalavancagem do mercado foi o fator predominante”, afirmou Bazan. Segundo ele, o processo técnico de liquidação de posições teve um peso maior do que o debate macroeconômico ou regulatório.
A Escolha do Presidente do Fed
A nomeação de Jerome Powell para a presidência do Federal Reserve (Fed) foi vista por alguns no mercado como um gatilho para a piora da situação. A interpretação era de que o banco central poderia manter as taxas de juros elevadas por mais tempo.
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Bazan relativizou essa leitura. “Só reforçou a queda em curso”, avaliou. Ele ressaltou que, apesar de Powell ter sido inicialmente considerado “hawkish” – defendendo o aumento da taxa de juros para diminuir a pressão inflacionária –, as prioridades do presidente Trump são juros mais baixos e expansão fiscal. “Seria ingenuidade acreditar que o presidente não pensou direito ao escolher seu indicado ao Fed.”
Retiradas de ETFs e o Cenário Global
A percepção sobre o novo comando da autoridade monetária também influenciou o mercado. Além disso, a saída de recursos de fundos listados nos ETFs de bitcoin à vista, que vinham registrando retiradas relevantes desde o fim de 2025, alimentou a tese de que investidores institucionais estavam reduzindo sua exposição ao risco.
Bazan discordou dessa leitura estrutural. “As saídas ainda são percentualmente pequenas perto do AuM total e, na verdade, têm surpreendido, mostrando que os institucionais são, na média, mais holders do que o varejo”, afirmou.
Correlação com o Setor de Tecnologia
No contexto geral, o ambiente global mais avesso ao risco pressionou ativos voláteis. A correção nas ações de tecnologia – com quedas expressivas em empresas de software e semicondutores – reforçou a correlação de curto prazo entre o Bitcoin e o setor de tecnologia.
“No curto prazo, sim”, respondeu Bazan ao ser questionado se o Bitcoin está mais atrelado às techs do que aos próprios fundamentos. “O Bitcoin acaba sendo avaliado como empresa de software nesse contexto, na falta de uma classificação mais clara pelo mercado.
A longo prazo, isso importa menos.”
Avanços Regulatórios e a Tramitação Legislativa
Apesar da agenda pró-cripto da administração Biden e de avanços regulatórios recentes, a tramitação de projetos de lei como o Clarity Act (que visa estabelecer regras claras para a regulação de ativos digitais) ainda enfrentava burocracia no Congresso.
Para o CEO da Underblock, porém, não havia frustração relevante nesse campo. “Não acredito que a frustração regulatória nos EUA seja real, uma vez que muitos avanços já foram feitos para o mercado”, ponderou.
