Bitcoin e Inflação: O que a análise histórica do iPhone revela sobre o ativo?

Bitcoin e a Tese da Proteção Contra a Inflação
Uma das principais ideias por trás do bitcoin é sua capacidade de se defender contra a inflação. Isso ocorre porque o ativo foi programado com uma oferta limitada a 21 milhões de unidades e sua emissão depende do gasto de energia.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Para ilustrar essa tese na prática, comparou-se o preço de um iPhone em dólares, reais e bitcoins ao longo dos últimos 17 anos, desde a criação do criptoativo.
Comparativo de Preços: Um Olhar Histórico
Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin, analisou o custo do smartphone da Apple no Brasil nas três moedas. Em dólares, o aparelho registrou um aumento de preço de 55% em 16 anos.
A comparação em reais foi igualmente expressiva, mostrando um aumento de 344% no preço do iPhone, do modelo 4 para o modelo 17. No entanto, o cenário em bitcoin foi notavelmente diferente.
O Desempenho do Bitcoin
Com o bitcoin, o iPhone não só manteve seu valor, como se tornou consideravelmente mais acessível. Em 2010, um entusiasta precisaria de 277 BTCs para comprar o celular. Atualmente, é necessário apenas uma pequena fração, especificamente 0,014 bitcoin, para adquirir o modelo mais recente.
Leia também
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Proteção de Longo Prazo e Escassez do Ativo
Matheus Parizotto, analista-chefe de research, aponta que o custo do iPhone em bitcoin, caindo de centenas para uma fração mínima, não prova, isoladamente, que o bitcoin acompanha a inflação de maneira linear.
“O que essa comparação demonstra é algo ainda mais robusto: ao longo de sua trajetória, o Bitcoin não apenas preservou o poder de compra, mas o expandiu de forma muito significativa”, afirma Parizotto.
A Natureza do Bitcoin
Para o analista, o bitcoin oferece uma proteção de longo prazo contra a perda do poder de compra das moedas fiduciárias. A ênfase recai no longo prazo, visto que, como ativo de renda variável, ele pode sofrer perdas no curto prazo, inclusive em relação à inflação.
Contudo, uma métrica histórica do setor aponta que ninguém que manteve sua posição em bitcoin por mais de três anos registrou prejuízo. Parizotto explica que o ativo foi projetado para ter uma oferta escassa, previsível e finita, limitada a 21 milhões de unidades, com emissão decrescente via halvings.
Bitcoin Versus Moedas Fiduciárias
Essa característica faz com que o bitcoin funcione menos como um escudo contra a inflação mensal e mais como uma proteção contra a diluição monetária causada pela expansão da base de moeda. Enquanto os bancos centrais aumentam a inflação ao imprimir dinheiro, o bitcoin tende a se valorizar, pois seu controle não é governamental e não pode ser impresso.
Criptoativos e a Dolarização Moderna
Szuster explica que a recente desvalorização do dólar tornou os criptoativos mais acessíveis para o investidor brasileiro. Nesse cenário, mesmo quem não busca a volatilidade do bitcoin pode usar criptoativos para se proteger da inflação.
Uma alternativa são as stablecoins, criptomoedas cujo valor é atrelado a uma moeda soberana tradicional, como o dólar. As stablecoins atreladas ao dólar acompanham a cotação americana na paridade de 1:1.
Eficiência das Stablecoins
“A exposição ao dólar já faz parte do cotidiano, mesmo que indiretamente. Itens como combustível, alimentos e tecnologia têm preços influenciados pela moeda americana”, destaca Szuster.
Ele argumenta que, enquanto a dolarização sempre foi lógica, a execução sempre foi falha devido à burocracia, câmbio caro e dinheiro parado. As stablecoins, por outro lado, eliminam o controle de capital e oferecem negociação 24/7, tornando o processo muito mais eficiente.
Atualmente, no Brasil, as stablecoins representam cerca de 90% das transações cripto, com um volume que cresceu 480 vezes em seis anos, atingindo R$ 361 bilhões em 2025.
Autor(a):
redacao
Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.


