Belém enfrenta risco à saúde pública com aumento da temperatura. Conferência COP30 alerta: calor extremo eleva mortes por doenças. Plataforma Mais reúne dados para combater impacto
A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), sediada em Belém, destaca uma ameaça crescente à saúde pública: as variações de temperatura além do habitual. Estudos recentes demonstram que o aumento da temperatura, especialmente em combinação com a umidade, está diretamente ligado ao aumento de mortes por doenças respiratórias e cardiovasculares.
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A capital paraense, com uma densidade urbana elevada e uma média de temperatura de bulbo úmido de 28,2°C, já considerada de alto risco, enfrenta essa realidade de forma particularmente preocupante.
Valores acima de 29°C representam um risco extremo para o organismo humano, que não consegue se resfriar adequadamente através da transpiração. A comunidade científica, com base em dados como o pico de 31,5°C registrado em Belém, tem evidenciado essa correlação de forma cada vez mais clara.
A situação é agravada pela vulnerabilidade de grupos específicos, como idosos e crianças, que são mais suscetíveis aos efeitos do calor e da poluição.
Para enfrentar essa crise, foi lançada a plataforma Mais – Meio Ambiente e Impacto na Saúde, uma iniciativa conjunta do Einstein Hospital Israelita de Belém. Essa plataforma reúne dados meteorológicos (Inmet), demográficos (IBGE), do DataSUS (incluindo mortes e internações) e informações socioeconômicas, somando mais de 50 indicadores e 40 fontes públicas dos últimos anos.
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A plataforma é processada com base nas evidências científicas disponíveis, além de modelos matemáticos e artigos científicos que passam pela curadoria do Einstein.
Cidades europeias como Paris e Barcelona implementaram “planos de calor” que incluem alertas antecipados à população vulnerável, abertura de centros de refrigeração públicos e adaptação de jornadas de trabalho em dias de clima extremo. O Plano de Ação ao Calor de Ahmedabad, na Índia, é considerado modelo global.
Implantado após uma onda de calor que matou 1.344 pessoas em 2010, o plano evita cerca de 1.190 mortes anuais desde 2013.
A plataforma Mais, além de fornecer dados, busca tangibilizar a relação entre as mudanças climáticas e o impacto na saúde da população. A cidade de Belém enfrenta desafios específicos, como a presença de moradias precárias nas franjas urbanas, que agravam o estresse térmico.
A falta de estação automática de monitoramento da qualidade do ar também é um obstáculo. No entanto, a plataforma Mais, com seu foco em dados e evidências, oferece um caminho para a implementação de medidas preventivas e de adaptação, como a distribuição de máscaras e o reforço das equipes em unidades básicas de saúde.
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