Robson Amorim e BeConfident desafiam o mercado de ensino de inglês com inovação e tecnologia, impulsionando 2 milhões de usuários e expandindo globalmente.
Robson Amorim, Felipe Silva, Felipe Tiozo e Luan Cavallaro, amigos que se conheceram ainda crianças em regiões periféricas de São Paulo, trilharam um caminho surpreendente. Inicialmente, competiam em feiras de robótica, formando times adversários, mas logo se tornaram amigos.
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Com o tempo, chegaram a representar o Brasil em competições internacionais, conquistando o título mundial de robótica em 2015, na África do Sul.
Apesar do sucesso, um obstáculo se manteve: a falta de proficiência em inglês. Nas competições, apresentavam seus projetos em português, enfrentando dificuldades com jurados estrangeiros. Essa barreira se intensificou quando tentaram bolsas em universidades americanas, onde suas entrevistas e provas de proficiência não foram bem-sucedidas. “Eu tinha uma trajetória consistente, mas não falava o idioma.
Isso dificultava muito. Precisei de um gap year, ano sabático, reaplicar para universidades, até conseguir”, afirma Amorim.
Amorim, por exemplo, tentou aplicar para universidades fora do Brasil, mas o inglês foi uma barreira. Precisou de mais um ano para aprender o idioma antes de dar entrada. A persistência deu certo, e ele foi aceito em uma universidade nos Estados Unidos, na Califórnia.
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Lá, em poucos meses, seu inglês mudou drasticamente, passando de 8 para 80. A fluência veio da convivência, não dos livros.
Essa vivência pessoal reacendeu o contato com os amigos, que começaram a pensar em como trazer essa imersão para o Brasil. Assim nasceu a BeConfident, uma startup que ensina inglês por conversas no WhatsApp, com o apoio de inteligência artificial, avatares realistas e feedback em tempo real.
A empresa já soma 100.000 assinantes pagantes e uma base total de 2 milhões de usuários, considerando planos gratuitos e avulsos.
A proposta da BeConfident é simples, mas tecnológica: ensinar inglês por meio de conversas no WhatsApp, com suporte de inteligência artificial, avatares realistas e feedback em tempo real. Tudo começa com o hábito: “Na América Latina, . Elas abrem o aplicativo em média 30 vezes por dia.
A gente pensou: por que não transformar esses micro-momentos em prática real de inglês?”, diz Robson. A ideia é que o aluno comece a treinar logo cedo, com mensagens no WhatsApp adaptadas à sua rotina.
Esses avatares — que a BeConfident chama de “gringos de IA” — são personagens com sotaques autênticos e perfis distintos. O aluno escolhe com quem conversar, e cada interação traz vocabulário novo, correções de erros e situações reais do cotidiano. “Pode ser desde pedir um café, até explicar uma receita ou se preparar para uma reunião de trabalho.
Tudo adaptado ao nível do aluno”, diz Amorim. A plataforma vai além do WhatsApp. O sistema também funciona no app da BeConfident e no navegador. E integra-se à rotina com base em padrões de uso: o horário em que o usuário costuma estar disponível, o tipo de conteúdo que prefere, e os erros mais comuns.
O mercado de ensino de inglês não é novo — e tampourenão é fácil de romper. Além de redes tradicionais com anos de presença física e reconhecimento de marca, há também a disputa com aplicativos globais, como o Duolingo, e com a ascensão de ferramentas genéricas de IA, como o ChatGPT, que também permitem conversas em inglês com custo quase zero.
Amorim reconhece que o cenário é competitivo, mas questiona a eficácia das soluções atuais. “É normal ter bastante competidor em línguas porque é o maior mercado de edtechs do planeta. Tem 1,5 bilhão de pessoas tentando aprender inglês no mundo.
Só que é um mercado muito engessado, com práticas antigas. E, no Brasil, apesar de termos o maior número de escolas de inglês do mundo, só 5% da população fala o idioma”, diz. A BeConfident tenta se diferenciar pela proposta de imersão real integrada à rotina, algo que nem as escolas presenciais nem apps convencionais entregam.
Com tração comprovada no Brasil, a BeConfident começou a abrir caminho fora do país. Hoje, 15% das assinaturas já vêm do exterior, principalmente dos Estados Unidos, onde vivem milhões de imigrantes em busca de fluência em inglês. A meta agora é lançar o produto em mais de 20 países nos próximos meses, incluindo mercados da América do Norte e Europa. “A gente começou a expansão global de maneira mais agressiva agora.
Nas próximas duas ou três meses, de 30% a 40% das novas assinaturas devem vir de outros países”, diz Amorim. Para isso, a startup reforçou a estrutura internacional. Parte do time já está baseado em São Francisco, onde fica o núcleo da operação nos EUA.
Os demais funcionários estão espalhados pela América Latina, incluindo Argentina e Brasil. Hoje, a equipe soma mais de 50 pessoas. A expansão global chamou atenção de investidores. A BeConfident levantou duas rodadas de investimento, com a participação de quatro fundos.
Entre eles, a Latitud, plataforma voltada a startups da América Latina, que tem entre seus fundadores Brian Requarth e Gina Gotthilf, ex-Duolingo.
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