Bebês em situação de pobreza podem apresentar atrasos no desenvolvimento motor? Estudo inovador da UFSCar revela a correlação entre vulnerabilidade socioeconômica e o desenvolvimento de crianças de 3 a 8 meses. Saiba mais!
Um estudo inovador, conduzido pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), revelou uma correlação significativa entre a vulnerabilidade socioeconômica e o desenvolvimento motor de bebês. A pesquisa, que acompanhou 88 crianças entre três e oito meses de idade, incluindo 50 em situação de pobreza, chegou à conclusão de que esses pequenos podem apresentar atrasos no desenvolvimento motor, como agarrar objetos, virar e sentar, mais tarde do que bebês expostos a ambientes mais ricos em estímulos.
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Os pesquisadores identificaram que os bebês em situação de pobreza não apenas alcançavam os marcos motores mais tarde, mas também apresentavam menor diversidade de movimentos, repetindo sempre a mesma estratégia para pegar um brinquedo, por exemplo.
A pesquisa, publicada na revista Acta Psychologica, destacou a importância de identificar precocemente esses riscos e planejar intervenções mais precisas.
A professora Maria Fernanda Ziegler, orientadora da pesquisa, enfatizou que esses atrasos sutis no primeiro ano de vida podem ter impactos importantes nos períodos pré-escolar e escolar, podendo estar associados a problemas comportamentais, como o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e transtornos da coordenação.
A pesquisa ressalta a necessidade de intervenções precoces para mitigar esses riscos.
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Boa notícia: o estudo mostrou que o atraso motor pode ser revertido. Ao longo do acompanhamento, os bebês, com o engajamento das mães, que passaram a reproduzir em casa as orientações dadas durante as visitas, apresentaram melhoras significativas.
As mães, em sua maioria adolescentes sem experiência em estimular os bebês, se mostraram receptivas e copiaram as ações durante as avaliações, interagindo mais com os filhos e favorecendo seu desenvolvimento motor.
Os pesquisadores utilizaram, pela primeira vez no Brasil, o Infant Motor Profile (IMP), um instrumento desenvolvido pela Universidade de Groningen, nos Países Baixos. Diferente de escalas que avaliam apenas se o bebê atingiu determinado marco motor, o IMP analisa também a qualidade dos movimentos – variação, fluidez, simetria e desempenho.
Isso permite identificar precocemente riscos neuromotores, planejar intervenções mais precisas e acompanhar a evolução das crianças ao longo do tempo.
O estudo identificou fatores de risco, como o sexo masculino (meninos tiveram uma probabilidade 2,57 vezes maior de apresentar desenvolvimento motor atípico) e a presença de muitos adultos no mesmo domicílio (gerando um ambiente mais caótico). No entanto, também identificou fatores de proteção, como a oferta de brinquedos que estimulam a motricidade fina, a idade mais avançada das mães (média de 24 anos, com variação de sete anos) e a maior escolaridade materna.
A pesquisa enfatiza a importância de programas de acompanhamento nos domicílios, com agentes comunitários de saúde e fisioterapeutas, dando maior visibilidade às necessidades dessa população.
O estudo destaca que os primeiros dois anos de vida são o período de maior neuroplasticidade de um indivíduo, quando ele “absorve” intensamente os estímulos do ambiente. A pesquisa sugere a criação de programas com agentes comunitários de saúde e fisioterapeutas, dando maior visibilidade às necessidades dessa população.
O artigo Contextual risk factors for atypical motor development in infants exposed to poverty: a longitudinal study pode ser lido.
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