BC e Fed sob pressão: Decisão crucial sobre juros em meio à crise no Oriente Médio

Cenário Econômico em Revisão: BC e Fed Decidem sobre o Futuro da Selic e Juros nos EUA
A guerra no Oriente Médio tem alterado drasticamente as projeções econômicas para 2026, impactando as decisões do Banco Central (BC) e do Federal Reserve System (Fed). Em meio a uma revisão das estimativas, ambos os bancos centralizados iniciam reuniões de política monetária nesta terça-feira (28), buscando definir o futuro da Selic no Brasil e das taxas de juros nos Estados Unidos.
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Expectativas de Corte Mais Brando em Xeque
O mercado esperava um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, elevando a taxa para 14,5% ao ano. No entanto, a incerteza gerada pela resolução do conflito no Oriente Médio tem levado a uma revisão dessas expectativas. A postura cautelosa do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reflete a alta volatilidade do cenário, com o real valorizando devido ao aumento do preço do petróleo e à entrada contínua de fluxos de capital no mercado acionário brasileiro.
Dados Inflacionários e Expectativas em Dificuldade
Os dados recentes de inflação têm apresentado surpresas, impactando as expectativas de mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Essa situação tem limitado o espaço para novas reduções na taxa Selic, devido ao deslocamento automático das taxas de juros reais para baixo.
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As deliberações do Copom ocorrerão entre hoje e o dia 29 de abril, com o anúncio das decisões sobre juros na quarta-feira (29).
Mercado em Ajuste: Investidores Mudam suas Apostas
Inicialmente, 66% dos investidores apostavam em um corte de 0,5 ponto percentual na reunião do Copom, enquanto 23% previam uma redução de 0,75 ponto e 3% acreditavam em uma queda de 1 ponto. Contudo, após a última reunião do Copom, 86,35% dos investidores agora apostam em uma redução de 0,25 ponto, com apenas 10,5% acreditando em manutenção da taxa.
O HSBC, por exemplo, ajustou sua perspectiva, enfatizando a postura cautelosa do BC para navegar por este período de incerteza.
Análise de Especialistas e Projeções
O Itaú BBA elevou suas projeções de inflação para 2026, antecipando um aumento para 4,4% (de 3,9% anteriormente) e 3,4% no horizonte relevante. A XP Projeta a taxa Selic em 13,5% ao final do ano, esperando cortes de 0,5 ponto em junho e agosto. Goldman Sachs elevou sua projeção da taxa Selic para 13,25% a o final de 2026, devido a um choque do petróleo mais prolongado e profundo.
Cenário nos EUA e o Fed
O mercado americano, através da ferramenta CME Fedwatch, aponta que 100% do mercado conta com manutenção dos juros nos EUA. A inflação continua pressionada, e os efeitos da guerra no Oriente Médio só pressionam ainda mais o Fed, segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, prevê um tom de cautela no último comunicado sob a presidência de Jerome Powell, reforçando a postura neutra e ligeiramente restritiva do BC.
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