Ailton Aquino solicitou compra de créditos do Banco Master em 2025; investigação aponta irregularidades no BRB. Descobriu-se pedido do Banco Central a Paulo Henrique Costa
Em 2025, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, solicitou ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, a compra de créditos do Banco Master para auxiliar na liquidez da instituição financeira. Documentos obtidos pela jornalista Malu Gaspar revelaram que essas discussões ocorreram em reuniões do conselho do BRB.
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O pedido de Aquino foi apresentado em 25 de março de 2025, quando os conselheiros Ricardo José Duarte Rodrigues e Kátia do Carmo Peixoto de Queiroz propuseram a suspensão da compra de carteiras, devido à baixa liquidez dos créditos.
A reunião resultou na decisão de adquirir os créditos no valor menor, conforme registrado na ata. No entanto, a ata não mencionava as conversas com o diretor do Banco Central. O Banco de Brasília já comprava ações do Banco Master há oito meses na época.
Paulo Henrique Costa teria relatado que Aquino frequentemente fazia pedidos de compra de créditos da instituição financeira. A mesma reunião de 25 de março aprovou a oferta de compra de 58% do Master pelo BRB, com redução para 22% nos meses seguintes, mas a proposta foi vetada pelo Banco Central após uma operação da Polícia Federal contra executivos do Master, relacionada a uma fraude de R$ 12 bilhões no contrato de créditos vendidos ao Banco de Brasília.
Em 23 de janeiro de 2026, o Banco Central afirmou que o diretor Ailton de Aquino “obviamente, jamais recomendou a aquisição de carteiras fraudadas”. A autarquia destacou que a responsabilidade pela análise da qualidade dos créditos é exclusiva de cada instituição financeira.
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O Banco Central informou que monitora permanentemente as condições de liquidez e busca soluções para problemas de liquidez em instituições financeiras.
A área chefiada por Ailton de Aquino promoveu investigações que levaram à demonstração da insubsistência dos ativos das carteiras. A área também iniciou a comunicação dos ilícitos ao Ministério Público Federal e aplicou medidas prudenciais preventivas ao BRB.
Por fim, o diretor submeteu à Diretoria Colegiada do Banco Central a proposta de liquidação extrajudicial das instituições do Conglomerado Master.
O diretor Ailton de Aquino colocou à disposição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal suas informações bancárias, fiscais e dos registros das conversas com Paulo Henrique Costa, renunciando ao sigilo sobre elas.
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