IPCA de dezembro deve confirmar meta de inflação de 2025, com expectativa de 0,30% e projeções para a Selic.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) de dezembro, a ser divulgado nesta sexta-feira, 9, deverá confirmar o encerramento de 2025 com inflação dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta é de inflação de 3% ao ano, com tolerância para 1,5 ponto percentual para mais ou menos — 1,5% a 4,5%.
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Se confirmada a estimativa, será a primeira vez que a inflação fica dentro da meta desde 2023.
Apesar disso, projeções consultadas pela EXAME alertam para sinais persistentes de pressão inflacionária em serviços, o que pode impactar o início do ciclo de cortes da taxa básica de juros, a Selic. As estimativas de alta mensal para o IPCA variam entre 0,30% e 0,35%, puxadas por passagens aéreas, alimentos in natura e recomposição de preços no comércio após os descontos da Black Friday.
A equipe da Consultoria Warren Estratégia estima um IPCA de dezembro de 0,30%, com núcleos em 0,41%. A casa aponta como principais vetores de pressão a aceleração de preços de alimentos, especialmente frutas (+2,35%) e carnes (+1,84%), e a disparada das passagens aéreas (+12,71%), típica do fim de ano.
Para o grupo habitação, a expectativa é de deflação, puxada pela mudança na bandeira tarifária da energia elétrica — de vermelha para amarela —.
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O Banco Daycoval projeta IPCA de 0,35% em dezembro e inflação acumulada de 4,3% em 2025. A instituição reforça a pressão concentrada no setor de serviços, notadamente passagens aéreas, mas chama atenção para um movimento mais acomodado nos chamados núcleos — que excluem itens voláteis. “Nossa expectativa é que o início do ciclo de cortes da Selic ocorra apenas em março de 2026, com taxa terminal de 12% ao final do ano.”
O Banco BMG estima IPCA de 0,31% no mês e variação acumulada de 4,2% no ano. O economista-chefe da instituição, Flávio Serrano, ressaltou que a leitura de dezembro será beneficiada por alívio em preços monitorados — como energia e combustíveis —, mas alerta para a resiliência da inflação de serviços. “Esperamos inflação de serviços pressionada nessa leitura, com alta de 0,7%”, disse Serrano. “Pesam os preços das passagens aéreas, de recreação e de serviços pessoais.”
O mercado de trabalho ainda apertado explica parte da piora no comportamento da inflação de serviços ao longo de 2025. Mesmo com a desaceleração frente a 2024 — quando o IPCA subiu 4,8% — o Banco Central deve manter postura cautelosa. Assim, ainda que a expectativa para o IPCA de dezembro seja uma leitura modesta, o cenário ainda demanda cautela por parte do BC.
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