A Azul e a Saída do Capítulo 11: Um Cenário de Riscos e Expectativas
As ações da Azul (AZUL53) apresentaram uma forte alta nesta segunda-feira, 23, após a conclusão do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11. A negociação, que começou com um aumento de mais de 30% na primeira hora, mantinha o avanço, embora em patamares menores, com ganhos superiores a 16%, cotadas a R$ 277,86.
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Essa saída do processo, que durou menos de nove meses, foi o mais breve entre as companhias aéreas brasileiras que passaram por essa reestruturação financeira. O evento marca o fim de um período complexo, impulsionado por condições favoráveis na entrada do Chapter 11 para levantar recursos.
A Estratégia da Azul e o Apoio de Grandes Companhias Aéreas
A Azul garantiu um financiamento de US$ 1,6 bilhão com credores, através de um DIP Financing (empréstimos a empresas em recuperação judicial), e obteve o aumento da participação acionária da United Airlines e da American Airlines. A United, que já era acionista da companhia, aumentou sua posição, enquanto a American Airlines recebeu uma fatia da empresa.
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O CEO John Rodgerson afirmou: “Nós somos maiores hoje do que nós éramos em 2025”. A companhia aérea também descartou novas discussões sobre uma fusão com a Gol.
Volatilidade e Diluição: Riscos para os Acionistas
Apesar do fim do processo de recuperação judicial, as ações da Azul enfrentaram uma forte volatilidade nos últimos meses. Em janeiro, a empresa realizou um aumento de capital de R$ 7,44 bilhões, com a emissão de 1 trilhão de novas ações, o que gerou uma queda de aproximadamente 85% nos preços.
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Essa diluição massiva dos investidores refletiu a complexidade do processo e a incerteza sobre o futuro da companhia. Enrico Cozzolino, CEO e estrategista da Zermatt Partners, ressaltou que o investidor minoritário teme uma perda do percentual relevante, especialmente diante de mecanismos como ofertas, bônus e agrupamentos que podem ampliar a diluição.
Cenários para o Futuro das Ações da Azul
Analistas preveem diferentes cenários para o futuro das ações da Azul. O mais provável é que a companhia saia do Chapter 11 com o capital fortemente diluído, o que reduziria significativamente a participação e o valor residual dos atuais acionistas.
Em um cenário intermediário, com recuperação operacional e corte de custos, o valor residual poderia se recuperar ao longo dos anos, mas exigiria disciplina operacional em um ambiente ainda adverso para o setor. No cenário mais negativo, há risco de novas diluições e reestruturações que poderiam levar à perda quase total do capital investido.
Além disso, a companhia enfrenta riscos contábeis e operacionais, como a possibilidade de baixas de goodwill, ativos intangíveis ou outros ativos de longo prazo, e a exposição à volatilidade do combustível de aviação e às oscilações cambiais.
