Azul registra queda de 95,30% em ações após aumento de capital e plano de recuperação judicial nos EUA. Operação busca reduzir dívida de R$ 40 bilhões
As ações da Azul apresentaram uma queda significativa nos últimos cinco pregões, registrando uma diminuição de 95,30% até a quinta-feira, 8 de maio de 2026. Essa performance é diretamente atribuída a uma operação de aumento de capital realizada pela empresa, como parte de seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos.
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A Azul emitiu mais de 1,4 trilhão de novas ações, combinando ordinárias e preferenciais, levantando aproximadamente R$ 7,4 bilhões. O objetivo principal da emissão foi converter credores em acionistas, buscando reduzir a dívida da companhia, que ultrapassa os R$ 40 bilhões.
Essa grande emissão de ações aumentou consideravelmente o número de ações em circulação, gerando uma diluição estimada em até 90% para os acionistas existentes.
Segundo Virgílio Lage, especialista da Valor Investimentos, a queda nas ações é resultado da dinâmica de oferta e demanda. A grande quantidade de novas ações no mercado reduz o valor de cada papel existente, pressionando os preços para baixo. “O mercado costuma reagir mal a essas ofertas, basicamente.
Há muita diluição no papel,” explicou Lage. “Os investidores não confiam na recuperação mesmo com essa diluição em vista, o preço da emissão está muito abaixo das expectativas. Então a primeira reação de curto prazo é uma queda muito forte,” acrescentou.
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A pressão vendedora se intensificou com o início das negociações das novas ações, que foram agrupadas em cestas para facilitar a negociação na bolsa. As ações preferenciais foram negociadas sob o código “AZUL54”, refletindo a conversão de dívidas em ações prevista no plano de recuperação judicial.
Embora a operação represente um avanço no processo iniciado em maio do ano passado, quando a Azul recorreu ao Chapter 11, o impacto sobre as ações continua sendo determinado pelos efeitos da diluição.
Em dezembro, mesmo após a aprovação do plano de recuperação judicial pela Justiça americana, com mais de 90% de apoio dos credores, os papéis já haviam reagido negativamente, sendo negociados na casa dos centavos. A percepção do mercado aponta para o redesenho da estrutura acionária da companhia como o principal fator por trás dessas quedas.
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