Banco da Inglaterra intensifica testes de estresse no setor privado. Lacunas de dados ameaçam a estabilidade financeira global. Descubra os riscos emergentes!
Autoridades de supervisão financeira e reguladores estão enfrentando desafios significativos na identificação de riscos dentro do sistema financeiro global. A principal razão reside na escassez de dados sobre empresas e crédito que operam fora do sistema bancário tradicional.
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Análises da Bloomberg apontam que o crescimento de mercados privados e de crédito fora dos bancos está criando “zonas cegas” na economia, dificultando a previsão de potenciais crises financeiras.
Essa falta de dados se tornou particularmente evidente em momentos recentes. Bancos centrais, em diversas ocasiões, tiveram dificuldades em obter informações básicas sobre indicadores cruciais como inflação, vendas no varejo e o mercado de trabalho.
Isso impactou a capacidade de ajustar a política monetária de forma eficaz. A ausência de dados não se restringe a eventos pontuais, abrangendo áreas menos transparentes do sistema financeiro e potencialmente afetando a estabilidade global.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o número de empresas listadas em bolsa diminuiu mais de 50% em 20 anos, enquanto o volume de empresas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão no mercado privado cresceu rapidamente. Paralelamente, a expansão do crédito privado após a crise financeira global reduziu os sinais de alerta que os reguladores tradicionalmente utilizavam para identificar riscos, como dificuldades de empresas em honrar seus compromissos de empréstimos.
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Autoridades reconhecem que as lacunas de dados tornam mais difícil determinar onde os riscos estão se acumulando. O Banco da Inglaterra tem intensificado os testes de estresse no sistema não bancário, que inclui private equity e crédito direto, buscando identificar fragilidades que só se manifestariam em momentos de crise.
A crescente entrada de recursos de fundos de pensão e investidores de varejo em mercados privados tende a ampliar ainda mais esses segmentos menos transparentes.
A preocupação central reside no potencial impacto de um cenário de aperto financeiro, onde a falta de informações sobre níveis de endividamento, valor de ativos e formas de financiamento poderia amplificar os efeitos de um choque. Relatos de reguladores europeus apontam para estruturas de crédito complexas, avaliações pouco frequentes e supervisão fragmentada em mercados privados.
Além disso, estratégias excessivamente alavancadas em mercados líquidos, como operações de hedge funds com títulos do Tesouro dos EUA e no mercado global de swaps cambiais, representam riscos significativos.
Em episódios recentes de estresse, a dificuldade em desmantelar posições forçou bancos centrais a intervir para estabilizar os mercados. A falta de dados também dificulta o mapeamento das conexões entre bancos e instituições não bancárias. O Banco Central Europeu reconheceu limitações para avaliar plenamente os riscos do setor não bancário por ausência de métricas importantes e de informações fora da zona do euro, o que complica análises sobre contágio e alavancagem entre sistemas.
Em resposta, bancos centrais e reguladores estão investindo em bases de dados alternativas e informações privadas para monitorar riscos em mercados fora dos bancos. O Banco da Inglaterra, por exemplo, tem investido nesse tipo de base desde a pandemia para acompanhar o endividamento de empresas.
No entanto, autoridades admitem que a falta de transparência continua elevada e que uma parte relevante dos riscos ainda permanece fora do radar.
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