Ataque Implícito na Paulista: Operação da Polícia Civil Evita Tentativa
A Polícia Civil de São Paulo, através do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), estava monitorando trocas de mensagens no Telegram relacionadas a um possível ataque na avenida Paulista. A situação se intensificou quando uma mensagem alarmante surgiu: “Amanhã é a guerra.
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Estejam todos preparados!!”. A detecção de tutoriais sobre a fabricação de bombas caseiras acendeu o sinal de alerta para os investigadores.
Dez adultos foram presos em conexão com a trama, enquanto dois adolescentes de 15 e 17 anos, residentes em Botucatu (SP), também foram detidos. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que não havia atualizações sobre os alvos da ação, direcionando contato para a Justiça de São Paulo para obter mais informações.
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Um grupo no Telegram, abrangendo cerca de oito mil membros em todo o estado de São Paulo, não possuía um líder formal, mas três integrantes se destacavam pela atividade. Adicionalmente, um grupo discutia a possibilidade de ataques no Rio de Janeiro, compartilhando informações com colegas cariocas.
Essa colaboração resultou em uma operação que frustrou um possível atentado em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A reportagem tentou contato com representantes da empresa Telegram, aguardando uma declaração.
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Os indivíduos envolvidos no grupo não se declaravam alinhados a nenhuma ideologia política, seja de esquerda ou de direita. “Eles expressavam o desejo de não serem influenciados por governos”, relatou uma fonte à Jovem Pan.
Uma das mensagens obtidas pela Jovem Pan continha um argumento defendendo a instalação do caos como forma de reação, com a menção de que a prisão de indivíduos envolvidos em ações pacíficas não traria resultados. “Rapaziada, só instalar o caos.
Vocês sabem bem o que acontece se for pacífico, né? Vão prender todo mundo e não vai dar em porra nenhuma. Se decidam: vai ser pacífico ou agressivo?”, diz o texto.
Outra mensagem revelava que um dos integrantes do grupo se identificava como ex-militar, compartilhando conhecimentos sobre ações em manifestações. “Vou montar uma lista de coisas e como fazer em conflitos de manifestação. Já fui a manifestações e sou ex-militar”, publicou.
Pesquisadores explicam que grupos como este são formados por indivíduos ressentidos, buscando uma justificativa para ações violentas, frequentemente motivadas por sentimentos de injustiça. “Então, essa pessoa vai, por meio de atentados, meio que fazer justiça por algo que ele acredita que um grupo fez contra ele.
Essas pessoas buscam uma justificativa em algum lugar”, afirmou à Jovem Pan Bruna Camilo, doutora e pesquisadora em gênero e misoginia.
Camilo, que acompanhou grupos no Telegram entre 2021 e 2023 como parte do doutorado em sociologia na PUC-MG, ressaltou a importância de políticas públicas de acompanhamento desses jovens, propondo uma abordagem de “desradicalização”. “Não basta puni-lo com a segurança pública, é uma questão de saúde pública”, disse a professora.
