Assessor especial alerta para incerteza global e crise no sistema internacional. Maduro é divisor simbólico no cenário global, apela ao diálogo e à paz.
O assessor especial da Presidência da República, principal conselheiro de política externa do presidente, afirmou que o mundo está passando por uma fase de grande incerteza, caracterizada pelo enfraquecimento das normas internacionais e pelo ressurgimento da força como fator central nas relações entre os países.
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Em artigo publicado na segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, na revista, ele destacou que a imprevisibilidade se tornou uma ferramenta de poder e intimidação no cenário global. O texto aborda a ação dos Estados Unidos na Venezuela, especificamente a investida contra o presidente Nicolás Maduro (PSUV, esquerda), como um divisor simbólico.
Amorim ressaltou que o episódio venezuelano representou a destruição de uma “certeza”: a da América do Sul como um continente de paz. A presença de aeronaves militares sobre uma capital sul-americana foi descrita como “tragicamente surreal”, levantando questões sobre a possibilidade de coexistir em um mundo sem regras estabelecidas.
O assessor comparou a situação com a prisão de Saddam Hussein no Iraque, diferenciando o caso venezuelano de golpes latino-americanos das décadas de 1960 e 1970, onde havia um “halo de heroísmo”.
O assessor especial enfatizou que a confiança na segurança coletiva, no comércio global e na promoção dos direitos humanos, pilares do sistema internacional, está sendo corroída. Ele declarou que, uma vez iniciado esse processo de erosão, é difícil reverter.
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Amorim utilizou o “princípio da incerteza” da física quântica para ilustrar a imprevisibilidade do comportamento dos Estados nas relações internacionais.
O assessor defendeu que o Brasil deve ampliar suas parcerias e preservar o multilateralismo, ressaltando a importância do respeito à soberania e da não intervenção. Mesmo em situações extremas, Amorim afirmou que o diálogo deve permanecer como prioridade, e que a intervenção militar estrangeira “não é a resposta”.
Ele enfatizou a “aposta existencial na paz” do Brasil, inscrita na Constituição, tanto no uso exclusivo pacífico da energia nuclear quanto na busca pela solução de controvérsias através da paz.
Amorim concluiu que uma reforma das instituições internacionais é necessária para ampliar a representação dos países do chamado Sul Global. Ele argumentou que somente uma multipolaridade aberta e baseada no direito internacional pode evitar “uma nova descida rumo à violência e à anarquia”.
O termo “Sul Global” refere-se a um conceito geopolítico que engloba países que se opõem às políticas dos Estados Unidos e da Europa Ocidental.
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