Em 2025, foram registrados 80 assassinatos de pessoas trans no Brasil, conforme dados divulgados na 9ª edição do dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), lançado em 26 de maio. Apesar da redução de 34% em comparação com 2024, a presidente da entidade, Bruna Benevides, ressaltou que a queda não reflete uma melhora na situação.
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A organização aponta para um cenário marcado pelo aumento das tentativas de homicídio, que atingiram pelo menos 75 casos, além de crimes caracterizados por violência extrema e crueldade.
Principais Estados com Assassinatos
Os estados com maior número de assassinatos em 2025 foram Ceará e Minas Gerais, com oito casos cada. Bahia e Pernambuco registraram sete mortes. Outros estados com ocorrências foram Goiás, Maranhão e Pará, com cinco casos cada. Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte e São Paulo contabilizaram quatro ocorrências.
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Mato Grosso e Rio de Janeiro apresentaram três casos, enquanto Alagoas, Distrito Federal, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul registraram dois casos.
Dados Históricos e Ranking Estadual
Entre 2017 e 2025, foram contabilizados 1.261 assassinatos de pessoas trans no Brasil, com uma média de 140 mortes anuais. O estado de São Paulo lidera o ranking com 11 assassinatos, seguido por Ceará (115), Bahia (104) e Minas Gerais (100). Esses dados refletem um padrão preocupante na violência contra a população trans no país.
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Características das Vítimas e Localização dos Crimes
As vítimas são predominantemente travestis e mulheres trans, representando 97% dos casos. Mais da metade das vítimas tinham entre 18 e 29 anos, e 70% eram pessoas trans negras. A maioria dos crimes ocorreu fora das capitais, com 67,5% dos assassinatos registrados em cidades do interior, onde o monitoramento, a denúncia e o acesso a políticas públicas são frequentemente mais desafiadores.
Contexto Internacional e Referências
O dossiê brasileiro se baseia em dados do “Observatório de Pessoas Trans Assassinadas Globalmente”, elaborado pela equipe do Transrespect versus Transphobia Worldwide (TvT). Este relatório anual, publicado em 20 de novembro – Dia Internacional da Memória Trans – atualiza os casos de assassinatos de pessoas trans em todo o mundo.
O Brasil mantém a posição de maior número de assassinatos de pessoas trans globalmente desde a criação do relatório em 2008. A América Latina e o Caribe representam 68% dos casos, refletindo as desigualdades sociais, raciais e econômicas da região.
