Consumo de Álcool e o Risco de Arritmias Cardíacas
O consumo de bebidas alcoólicas, como uma lata de cerveja no churrasco de Natal ou uma taça de espumante no Réveillon, é uma prática comum no Brasil durante as festas de fim de ano. No entanto, o exagero nesse hábito pode mascarar uma ameaça silenciosa ao coração: a síndrome do coração festeiro, também conhecida como holiday heart syndrome.
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Essa condição está relacionada ao aumento do risco de desenvolver fibrilação atrial, um tipo de arritmia que afeta o ritmo do coração.
O que é a Fibrilação Atrial?
A fibrilação atrial ocorre quando a parte superior do coração, chamada átrio, fica eletricamente desorganizada e trêmula. Isso leva a um descompasso dos batimentos cardíacos. Os sintomas geralmente incluem palpitações no peito, cansaço e falta de ar, que podem se manifestar durante o momento de embriaguez ou algumas horas após a bebedeira.
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Fatores que Contribuem para a Síndrome
A intoxicação alcoólica diminui o pH do sangue e desidrata o corpo, efeitos que podem se somar a outros fatores como privação de sono e perda de eletrólitos. A combinação desses fatores pode levar à síndrome do coração festeiro. O binge drinking, ou seja, o consumo de cinco ou mais doses de álcool em um curto período, é um disparador consistente de fibrilação atrial, conforme demonstrado em um estudo publicado em 2025.
Investigação Científica e Descobertas
Pesquisas, como as conduzidas pelo cardiologista Jhiamluka Zservando Solano Velasquez na Universidade de Oxford, revelaram que a exposição excessiva ao álcool desencadeia arritmias em diversas populações. Mesmo em jovens saudáveis, a ingestão aguda de álcool pode alterar o sistema nervoso autônomo, causando oscilação do intervalo entre os batimentos, aumento da frequência cardíaca e batimentos prematuros.
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Subestimação e Prevalência
A síndrome do coração festeiro ainda é subestimada, em parte porque a arritmia tende a melhorar espontaneamente em até 48 horas. No entanto, a falta de investigação para determinar se a arritmia já existia ou se foi apenas um episódio decorrente da intoxicação alcoólica não elimina o risco de reincidência da fibrilação atrial, especialmente em um contexto de alta prevalência de consumo abusivo de álcool no Brasil.
Dados da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) indicam que a média de consumo de bebidas alcoólicas pelos brasileiros foi de 5,3 doses por ocasião, e 24 milhões de pessoas relataram beber exageradamente em 2024.
Recomendações e Prevenção
Embora o consumo de álcool não se aplique apenas a quem bebe além da conta, é importante estar atento aos riscos. O cardiologista Guilherme Drummond Fenelon Costa do Einstein Hospital Israelita, ressalta que não existe um nível universalmente ‘seguro’ de álcool para a prevenção da fibrilação atrial, especialmente para aqueles que já são mais vulneráveis a problemas cardíacos. É fundamental consultar um cardiologista para investigar o quadro e tratá-lo preventivamente.
O equilíbrio é a palavra-chave, e se a pessoa gosta de beber para celebrar, ela pode fazer isso durante as festas, desde que evite o exagero, espaçando as doses, mantendo a hidratação, fazendo refeições leves e tendo boas noites de sono.
