A Argentina e os Estados Unidos formalizaram um acordo de cooperação nesta quarta-feira (4), com foco em minerais estratégicos. O anúncio foi feito pelo Ministério das Relações Exteriores e Comércio Internacional da Argentina, destacando a importância dos recursos para o país sul-americano, que possui reservas significativas de minerais essenciais para a transição energética e o desenvolvimento da indústria de tecnologia, como lítio, cobre e manganês.
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Novos Instrumentos de Financiamento e Cooperação
O acordo prevê o uso de financiamento público e privado, além da simplificação de processos de licenciamento. A cooperação se estenderá a áreas cruciais como mapeamento geológico, reciclagem e gestão eficiente de materiais críticos. O governo argentino vê o acordo como uma oportunidade de impulsionar o crescimento econômico e a produção no setor.
Objetivos dos EUA e Desafios Globais
A assinatura do acordo ocorre após reuniões ministeriais em Washington, envolvendo os Estados Unidos e outros 54 países. O principal objetivo americano é reorganizar a cadeia produtiva global de minerais críticos, que atualmente é dominada pela China.
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A concentração da produção chinesa tem gerado preocupações em governos e empresas ocidentais.
Críticas à Concentração Chinesa
Empresas de países ocidentais apontam que a China influencia o mercado de terras raras e outros minerais críticos através de subsídios, expansão da oferta e práticas de precificação. Essa situação gera ciclos de excesso de produto e queda de preços, dificultando a viabilidade de projetos fora da China.
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Preocupações Geopolíticas e Estratégias Americanas
A Agência Internacional de Energia (IEA) considera a concentração chinesa um risco geopolítico. A China tem capacidade de influenciar preços, controlar o acesso a tecnologias estratégicas e definir o ritmo de desenvolvimento de setores como semicondutores, veículos elétricos e armazenamento de energia.
Para os Estados Unidos, garantir o acesso a esses insumos é crucial para a segurança militar e tecnológica.
Propostas para Mitigar Riscos
O governo norte-americano busca reduzir riscos associados à concentração. Uma das propostas é criar mecanismos de referência e pisos de preços para minerais críticos, visando garantir previsibilidade aos investimentos, reduzir riscos de mercado e evitar a inviabilidade de projetos.
Essa estratégia se assemelha a acordos recentes entre países ocidentais, que buscam oferecer previsibilidade para destravar investimentos de longo prazo.
Acordos de Modelo
Um exemplo citado é o acordo entre Estados Unidos e Austrália, que prevê padrões e contratos de longo prazo com pisos de preços. O objetivo é proteger mercados domésticos, reduzir vulnerabilidade a choques de oferta e limitar a exposição à manipulação de preços.
A ideia é garantir que investimentos sejam viáveis, independentemente de flutuações no mercado global.
