Argentina: Atividade cai 2,6% em fevereiro; o que esperar de Javier Milei?

Atividade econômica da Argentina cai 2,6% em fev. Milei e políticas geram retração inédita desde 2023. O que esperar de 2027?

24/04/2026 06:07

3 min

Argentina: Atividade cai 2,6% em fevereiro; o que esperar de Javier Milei?
(Imagem de reprodução da internet).

Atividade Econômica Argentina Reduz em Fevereiro, Segundo Dados do Indec

A atividade econômica da Argentina registrou uma retração de 2,6% em fevereiro, comparado ao mês anterior. Este índice marca a maior contração econômica desde que o presidente Javier Milei assumiu o cargo em 2023, conforme divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) nesta quarta-feira, dia 22.

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O jornal britânico Financial Times aponta que essa queda reflete os impactos dos programas econômicos implementados por Milei em grandes setores industriais. As políticas monetárias e outras medidas, voltadas para combater a inflação, teriam prejudicado o investimento e a atividade geral.

Impactos das Políticas de Combate à Inflação

Segundo o veículo, as ações econômicas transformaram a recuperação da Argentina, que vinha de uma recessão em 2023, em um cenário de desenvolvimento desigual entre os diversos setores. O economista Ramiro Giomi, estrategista na StoneX, comentou ao jornal que o governo parece acreditar que reduzir a inflação será o fator decisivo para 2027.

Visão de Especialistas sobre a Estabilidade Econômica

No entanto, Giomi expressou ceticismo sobre essa equação ser infalível. Ele sugeriu que existem alternativas para dar suporte aos setores em dificuldades, mas que essas medidas ainda não foram implementadas pelo governo.

Comparativamente, a queda da atividade econômica em fevereiro, em relação ao mesmo período de 2024, foi de 2,1%, segundo dados da agência nacional de estatísticas argentina. Este índice representa a maior queda registrada desde 2024, ano em que o presidente, com perfil libertário, aprovou um amplo conjunto de medidas.

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Desemprego e Desempenho Setorial Desigual

Em relação ao mercado de trabalho, a taxa de desemprego atingiu 7,5% nos últimos três meses de 2025. Este valor representa um aumento de 1,1 ponto percentual em comparação com o mesmo período do ano anterior, configurando a quarta maior taxa desde o período pandêmico.

Com esse cenário, as taxas de aprovação de Milei caíram para 36%, atingindo os níveis mais baixos desde que ele assumiu a presidência. A desaceleração ocorre após um período de crescimento do PIB de 4,4% em 2025 e uma queda acentuada da inflação, o que indica que os sucessos na estabilização ainda não alcançaram os setores cruciais.

Setores em Destaque e Contração

Setores como manufatura e varejo, que empregam grande parte da população, mostram sinais de dificuldade. O crescimento econômico foi puxado por setores exportadores, como a energia e a agricultura, que apresentaram aumentos de 9,9% e 8,4%, respectivamente, em fevereiro deste ano frente ao ano anterior.

Por outro lado, a manufatura sofreu uma queda de 8,7%, e o varejo registrou uma retração de 7% no mesmo período. O plano do presidente visa migrar o foco da economia argentina de setores menos competitivos, como varejo e manufatura, para áreas como energia, agricultura e tecnologia, que, juntos, empregam apenas 12% da força de trabalho nacional.

Perspectivas para a Economia Argentina

A análise dos dados aponta para um desafio estrutural: conciliar a estabilização inflacionária com o suporte aos setores industriais tradicionais. A disparidade de desempenho entre exportações e consumo interno é o ponto central do debate econômico atual.

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