Araghchi declara: “Não há planos para enforcamentos” no Irã

Ministro Araghchi nega execuções de manifestantes no Irã. Família de Soltani, preso em Karaj, recebe informações sobre adiamento de execução. Protestos, iniciados em 28/12/2025, motivados por crise econômica, são orquestrados por Israel, segundo Araghchi. EUA expressam preocupação e ameaçam intervenção

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(Imagem de reprodução da internet).

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Amir-Abbas Araghchi, declarou na quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, que não há planos para a realização de execuções de manifestantes, afirmando que “não há plano para enforcamentos”, inclusive no futuro próximo.

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A declaração ocorreu após a família de um manifestante iraniano, Soltani, um funcionário de 26 anos de uma loja de roupas preso em Karaj, cidade a noroeste de Teerã em 8 de janeiro, ter sido informada sobre o adiamento de sua execução, conforme denunciado por grupos de direitos humanos.

Desenvolvimento dos Protestos

O presidente dos Estados Unidos, (Partido Republicano), afirmou ter recebido informações de uma fonte confiável sobre a situação de Soltani e outros manifestantes presos. Araghchi apresentou a versão oficial do governo iraniano sobre os recentes acontecimentos no país.

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Segundo ele, os protestos se desenvolveram em duas fases distintas: inicialmente, houve manifestações pacíficas relacionadas às dificuldades econômicas, que duraram 10 dias; posteriormente, um período de 3 dias de violência foi orquestrado, segundo o ministro, por Israel.

Estimativas de Mortes e Prisões

Grupos de direitos humanos relatam que mais de 18.000 pessoas foram presas e que pelo menos 2.571 mortes foram registradas nas últimas duas semanas. Informações locais indicam números ainda maiores, com a (Human Rights Activist News Agency) informando sobre 2.615 mortes.

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Acusações e Reações Internacionais

Questionado sobre as mortes causadas pela repressão, Araghchi acusou a presença de infiltrados israelenses de terem matado manifestantes, com o objetivo de inflar os números e pressionar os Estados Unidos a intervir no Irã. O presidente norte-americano, em declaração, expressou preocupação com a situação, afirmando que “se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, como é de seu costume, os EUA virão em socorro”, e que o país está “com as armas carregadas e pronto para agir”.

Contexto dos Protestos no Irã

Os protestos no Irã iniciaram-se em 28 de dezembro de 2025, motivados pela crise econômica do país, caracterizada pela desvalorização da moeda, inflação de 42,2% (dados de dezembro de 2025) e aumento dos preços de bens essenciais. Comerciantes e trabalhadores saíram às ruas para exigir medidas de alívio econômico.

A manifestação atraiu um número crescente de participantes, que reivindicam reformas políticas e do sistema judiciário, além de maior liberdade e criticam o governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã.

Resposta do Governo Iraniano

O governo iraniano reagiu aos protestos, utilizando agentes para reprimir as manifestações, com o uso de armas de fogo e gás lacrimogêneo em 9 de janeiro. Khamenei classificou os manifestantes como “sabotadores”. Ali Khamenei, o aiatolá de 86 anos no poder desde 1989, lidera uma teocracia islâmica xiita que concentra o poder absoluto no líder supremo, cargo vitalício com autoridade sobre todos os Poderes constitucionais.

Sistema Político e Restrições

O regime, baseado na Sharia (lei islâmica), impõe restrições como o uso obrigatório de hijab a partir dos 9 anos e a necessidade de autorização marital para viagens internacionais. A oposição permanece fragmentada entre diversas facções, incluindo a MEK (Organização dos Mujahideen do Povo), minorias étnicas e movimentos de protesto reprimidos, sem uma liderança unificada.

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