Apex Capital redefine estratégia, reduz exposição ao varejo e aumenta em bancos e energia. Gestora aposta em Itaú, BTG Pactual e Nubank.
A Apex Capital, uma gestora independente especializada em ações, tem realizado ajustes recentes em seu portfólio de investimentos. Um dos movimentos mais notáveis foi a redução da exposição a empresas do varejo doméstico. Essa decisão reflete uma análise cuidadosa do cenário econômico, em um ano marcado por quedas na taxa básica de juros, a Selic.
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Segundo Fábio Spinola, sócio e diretor de investimentos da Apex, a Selic pode cair ainda mais do que o previsto pelo mercado, podendo atingir 3,5 pontos percentuais. A gestora optou por “tomar lucro” com ações do varejo, devido ao desempenho das empresas e a uma tendência de deslocamento das datas de compras, impulsionado pelo Natal que se antecipa a cada ano.
Em contrapartida, a Apex elevou sua participação no setor bancário, concentrando-se em Itaú (ITUB4) e BTG Pactual (BPAC11), além de aumentar sua posição em Nubank. A gestora também demonstra interesse em Copel, Eneva e Axia, empresas do setor de energia, que se beneficiam do aumento dos preços da energia.
A Apex mantém uma posição em Eletrobras há alguns anos, ajustando sua exposição ao papel, que se encontra em níveis mais baixos.
Fábio Spinola ressalta que o cenário internacional também influencia as decisões da Apex. A gestora observa que investidores estrangeiros estão buscando diversificar seus investimentos, impulsionados pela postura de Donald Trump e pela incerteza geopolítica.
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A preocupação com a situação fiscal do Brasil é relativizada por um contexto global de deterioração das contas públicas, o que leva os investidores a buscarem ativos em outras regiões.
Spinola acredita que, apesar do fluxo de investimentos para mercados emergentes ter “perna para andar” devido ao valuation ainda descontado dos ativos, os investidores estrangeiros estão demonstrando interesse em Brasil. Ele destaca que as empresas americanas continuam inovadoras e geradoras de caixa, e que o cenário de “goldilocks” — crescimento sem pressão inflacionária — pode atrair novamente os investidores.
No entanto, ele alerta que um “revés” no cenário de juros poderia causar a desvalorização do real, limitando o espaço para cortes na Selic.
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