Anielle Franco critica “chacina” na Maré e defende estratégia no combate ao crime

Ministra Anielle Franco busca equilíbrio entre direitos humanos e combate ao crime. Operação no Rio resultou em 121 mortes e críticas da ministra, que classificou a ação como “chacina”

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(Imagem de reprodução da internet).

O governo enfrenta um desafio complexo com a proximidade das eleições de 2026. A busca por um discurso sobre segurança pública que não comprometa os direitos humanos é delicada. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, buscou equilibrar essa posição em uma entrevista ao Poder360, em 29 de janeiro de 2026.

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Anielle Franco defendeu o combate ao crime organizado, enfatizando a necessidade de abordar a criminalidade de forma estratégica, sem que a violência se concentrasse em áreas como as favelas. A ministra ressaltou que o combate ao crime organizado deve considerar a sua manifestação em diferentes contextos, não apenas nas periferias.

A declaração surge após a operação policial no Complexo da Maré e na Penha, no Rio de Janeiro, que resultou em 121 mortes, a mais letal da história do estado. A ação do governo estadual, liderado pelo PL, gerou divergências com o Planalto.

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Anielle Franco foi uma das vozes mais críticas à operação, classificando-a como “chacina”. A situação provocou cobranças da oposição e setores de esquerda, que solicitaram ao governo Lula uma postura mais firme no combate à criminalidade.

O tema impacta a percepção da população sobre segurança. O governo e o Planalto reconhecem a complexidade da situação.

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Com a campanha de 2026 em vista, Lula busca construir uma narrativa que reconcilie direitos humanos com o combate ao crime. O presidente tem defendido que a segurança não se limita à repressão policial, mas também inclui a presença do Estado nas periferias.

Durante a posse do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, em 15 de janeiro de 2026, Lula enfatizou que enfrentar o crime organizado “não é apenas matar gente em favela” e defendeu políticas coordenadas do Estado que vão além da repressão policial.

“O Estado não precisa entrar numa favela ou periferia assassinando inocentes. É preciso levar cultura, esporte, lazer, saúde e educação. Esse é o ponto-chave”, declarou Anielle Franco ao Poder360.

Sobre a operação na Maré, o governo federal participou de reuniões sobre a operação, incluindo com Lula. O foco não era apenas a questão de segurança, mas também o acolhimento aos familiares das vítimas.

Anielle Franco viajou ao Rio no mesmo dia que o ministro Ricardo Lewandowski (Justiça) e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Para tentar mostrar resultados na área, o governo criou o programa Juventude Negra Viva, que conta com orçamento de 19 ministérios.

Uma das conquistas foi a obrigatoriedade de câmeras nos uniformes dos policiais –medida defendida como forma de reduzir a violência contra pessoas negras nas periferias. Há também o programa de Apoio a Familiares Vítimas de Violência Psicossocial, em parceria com o Ministério da Justiça, que atua em periferias do Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Anielle tem visitado as comunidades afetadas pela violência. “Para além da reunião, eu acho que é importante estar nos territórios”, disse.

Na 2ª feira anterior à entrevista, esteve na Maré com o ministro (Secretaria-Geral da Presidência) lançando um grupo de trabalho sobre segurança pública. Ações semelhantes ocorreram em Manguinhos e no Complexo do Alemão. A ministra defendeu que a segurança pública não pode impedir o funcionamento de escolas ou a circulação de trabalhadores –crítica direta a operações como a da Maré, que paralisaram comunidades inteiras.

“Vamos combater o crime organizado? Claro que vamos. Pelo contrário. É o combate ao crime organizado, mas de maneira organizada também. De maneira estratégica, sem custar a vida de ninguém, sem custar a vida de nenhum trabalhador”, declarou ao Poder360.

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